Como saber se é falta ou excesso de ácido no estômago e como resolver naturalmente

Como saber se é falta ou excesso de ácido no estômago e como resolver naturalmente

A falta ou excesso de ácido no estômago não só pode causar desconfortos como indigestão e azia, mas também pode afetar a absorção de nutrientes essenciais no corpo.

Vamos desvendar os mistérios por trás da “falta ou excesso de ácido no estômago”, seus sintomas, causas e impactos na saúde.

Além disso, discutiremos como identificar e tratar corretamente essas condições de forma totalmente natural. Fique comigo para aprender tudo sobre a falta ou excesso de ácido no estômago e como isso pode afetar a sua saúde.

1. A importância do ácido estomacal para a absorção de nutrientes

Ter bons níveis de ácido no estômago é extremamente importante para a absorção de nutrientes essenciais.

É crucial para manter nossa saúde intestinal em dia, fortalecer nossa imunidade e garantir nosso bem-estar geral.

Muitas pessoas sofrem com sintomas desagradáveis, como indigestão, gases, azia e queimação, devido ao desequilíbrio nos níveis desse ácido, principalmente quando os níveis estão mais baixos do que o ideal.

E não é tão simples diferenciar entre pouco ou muito ácido no estômago. Isso porque os sintomas são parecidos.

E aqui temos uma questão que eu realmente preciso abordar. A queimação, azia, gases e aquela incômoda sensação de má digestão que não dá trégua durante o dia… Muitos de vocês já sentiram isso, não é?

E quando vão ao médico em busca de alívio, qual é frequentemente a solução oferecida? Antiácidos! Você recebe os famosos “prazóis”, como o omeprazol, pantoprazol, lansoprazol, rabeprazol, entre outros.

2. O papel dos medicamentos antiácidos e seus impactos a longo prazo

Mas pessoal, eis a questão: apesar de muitas vezes proporcionar um alívio imediato, esses medicamentos, em sua essência, apenas “anestesiam” o problema.

Eles não estão tratando a causa raiz, apenas colocam um “band-aid” temporário. Sim, você se sente bem, mas apenas superficialmente.

A longo prazo, o uso contínuo desses medicamentos, especialmente por mais de 3 meses, pode trazer consequências graves à saúde.

O que mais me preocupa é que conheço pacientes que estão usando esses remédios por anos a fio!

Em algumas situações, até é indicado o uso desses prazóis por um curto período, mas estou falando apenas de um curto período e em casos específicos, como: tomar medicações que prejudicam o estômago, estar em tratamento para H. pylori ou ter um diagnóstico de úlcera péptica gástrica ou duodenal.

Assista meu vídeo Como tratar H. pylori naturalmente – visão do Dr. Alain Dutra

Por que há problemas com essas medicações como omeprazol?

Quando você inibe a acidez do estômago com esses medicamentos, basicamente, está impedindo seu corpo de secretar ácido de forma adequada.

E agora você deve estar se perguntando: “E qual o real impacto disso na minha saúde?”. E é uma pergunta válida! Porque, veja bem, o ácido estomacal não está ali à toa.

Ele tem uma função. Pessoal, o ácido estomacal é um fluido digestivo naturalmente produzido pelas células que revestem nosso estômago.

3. A função do ácido clorídrico na digestão e combate a bactérias

E o protagonista aqui é o ácido clorídrico, responsável tanto por quebrar os alimentos quanto por eliminar bactérias indesejadas.

Mas, vamos simplificar: imagine que você comeu algo. No momento em que os alimentos entram em seu estômago, a secreção desse ácido é acionada, principalmente se sua refeição for rica em proteínas.

Esse ácido tem um papel crucial em algumas frentes. Primeiro, ele age como um defensor, neutralizando ameaças como leveduras e bactérias prejudiciais, evitando, assim, transtornos como o SIBO – o supercrescimento de bactérias no intestino delgado.

4. Os elementos essenciais para a produção de ácido estomacal

Pessoal, e para a produção desse ácido, precisamos de vários elementos, incluindo cloretos, potássio, vitamina C e zinco.

Em segundo lugar, a acidez desse ácido estomacal ativa a pepsina, uma enzima essencial para a digestão de proteínas.

Imagine que esse ácido e essa enzima são uma dupla dinâmica, trabalhando em conjunto para destrinchar as proteínas e transformá-las em aminoácidos que nosso corpo pode efetivamente absorver.

Ah! E é graças a uma camada mucosa robusta que nosso estômago não é corroído por este ácido tão potente.

Se essa barreira protetora for comprometida, problemas como úlceras e gastrite podem surgir.

E agora, um terceiro ponto crucial sobre o ácido estomacal: ele é o grande facilitador da absorção de nutrientes dos alimentos que consumimos. Pense nos minerais, por exemplo.

Eles são majoritariamente absorvidos no nosso intestino delgado. Contudo, para que essa absorção ocorra de forma eficiente, os minerais precisam estar em uma forma iônica. E adivinhe quem é o responsável por transformá-los nessa forma?

Exato, o ácido estomacal! Ele trabalha para ionizar os minerais presentes nos alimentos.

Então, por mais que você esteja consumindo alimentos ricos em nutrientes, sem uma quantidade adequada de ácido estomacal, a absorção desses minerais fica comprometida.

A relação entre ácido estomacal e a absorção de minerais e vitamina B12

E por falar nisso, tenho certeza que muitos de vocês já ouviram falar sobre a vitamina B12 e como a deficiência de ácido estomacal pode afetar seus níveis no corpo.

Mas o que a B12 tem a ver com minerais? Bem, a resposta está no cobalto, um mineral que é parte integrante da vitamina B12.

E você encontra essa vitamina em alimentos como carne vermelha e carnes de órgãos.

Além disso, minerais como o zinco, magnésio, cálcio e ferro também precisam desse ácido para serem efetivamente desvinculados de suas estruturas proteicas e absorvidos pelo corpo.

Então, uma problema de falta de ácido no estômago pode resultar em várias deficiências nutricionais.

5. Diferença entre hipocloridria (baixa produção de ácido) e hipercloridria (superprodução de ácido)

Quando a produção de ácido estomacal não está a todo vapor, surgem problemas. O nome técnico disso é hipocloridria.

O sinal mais comum de baixa produção de ácido no estômago é a indigestão. Indigestão é a sensação de que sua comida está meio presa no estômago — você se sente cheio e como se seu estômago não estivesse esvaziando corretamente.

Quando você tem indigestão, você pode apresentar uma pressão ou dor no estômago, sensação de que comeu demais, apesar de ter comido pouco, azia, náusea, arrotos, gases e inchaço, refluxo ácido, cólicas.

E a grande armadilha aqui é que os sintomas do excesso e da falta de ácido são muito parecidos.

Mas, com o conhecimento adequado, podemos identificar e tratar corretamente cada situação.

Enquanto muitos enfrentam baixa produção de ácido, outros lidam com o oposto: a hipercloridria.

Essa condição leva à superprodução de ácido clorídrico no estômago, causando hiperacidez gástrica.

Os sintomas incluem azia intensa, dor estomacal, queimação, refluxo, tosse noturna e, em alguns casos, náuseas e vômitos. Se não tratada, pode evoluir para úlceras pépticas e até sangramento gastrointestinal.

6. Causas comuns para a produção insuficiente ou excessiva de ácido clorídrico

Vamos explorar algo muito importante agora: por que algumas pessoas têm uma produção insuficiente de HCL, nosso ácido clorídrico?

Uma das razões mais comuns é o uso contínuo de antiácidos. Eles são frequentemente consumidos por pessoas que querem aliviar sintomas como azia.

Embora possam oferecer um alívio temporário, o uso prolongado pode reduzir a produção natural de ácido pelo estômago.

E claro, a dieta desempenha um papel crucial. Se você está consumindo regularmente alimentos processados, repletos de conservantes e substâncias químicas, isso pode afetar negativamente a capacidade do estômago de produzir ácido suficiente.

O corpo humano não foi projetado para processar esses “alimentos modernos”, e com o tempo, isso pode levar a uma série de problemas digestivos.

Mas não é só a dieta. O estresse crônico também pode ser um grande culpado. O uso frequente de antibióticos também entra na lista.

E há muitos outros fatores que podem contribuir: falta de atividade física, alcoolismo, tabagismo e até mesmo o processo natural de envelhecimento; na realidade, a maioria dos idosos possui baixo ácido no estômago.

7. A relevância do exame coprológico funcional e outros testes laboratoriais

Para ajudar a avaliar sua produção de ácido estomacal, solicite ao seu médico o exame coprológico funcional.

Após uma dieta, suas fezes são coletadas e analisadas no laboratório. A presença de tecido conjuntivo mal digerido ou sais de oxalato de cálcio podem indicar a deficiência na produção de ácido no estômago.

Esse exame é barato, e muitos convênios cobrem. Hoje em dia, dispomos de exames mais elaborados que podem revelar não só isso, mas muito mais.

Embora sejam mais caros, se você tiver condições, vale a pena investir. Pessoal, lembre-se: a endoscopia digestiva pode identificar gastrite ou esofagite, mas não determina se a causa é excesso ou falta de acidez.

Conhecer a causa real é fundamental para um tratamento adequado.

Teste caseiro para avaliar a produção de ácido no estômago

Existe um teste caseiro que você pode realizar para ter uma noção sobre a produção de ácido em seu estômago.

Faça esse teste por 3 dias consecutivos. Ao acordar, em jejum, misture uma colher de café (aquela colher pequena) de bicarbonato de sódio em um copo d’água (150 a 200 ml) e beba.

Comece a cronometrar o tempo imediatamente após beber. Se você arrotar em menos de 2 minutos, pode indicar que há um excesso de ácido em seu estômago.

No entanto, se demorar mais de 3 ou 4 minutos para arrotar, isso pode sinalizar que você tem baixa acidez estomacal.

O ideal é arrotar entre 2 minutos e 3 minutos. Lembre-se de que esse teste é apenas uma indicação preliminar e não é conclusivo.

Sempre é recomendável procurar a avaliação de um médico para um diagnóstico preciso.

8. O papel do cloridrato de Betaína na ajuda da digestão e como tomá-lo corretamente

Na minha prática médica vejo muitos sintomas como azia e má digestão sendo causados por falta de acidez, e, nesse caso, o cloridrato de Betaína pode ser sua solução.

Este suplemento age como uma forma de ácido clorídrico para o seu estômago. E aqui está o incrível: ele tem o poder de reduzir o nível de pH no seu estômago, tornando-o mais ácido.

E é exatamente por isso que é fundamental tomá-lo da forma correta, e sempre com as refeições.

O ideal é tomar o Cloridrato de Betaína em uma dose de 300 mg (na maioria dos casos) durante as suas principais refeições, especialmente aquelas ricas em proteínas. Não antes, nem depois.

Literalmente, enquanto você come. Imagine que você se sentou para almoçar, então, assim que iniciar a refeição, você já pode tomar o suplemento.

Ou, como muitos preferem, inicie a refeição, tome o suplemento, e continue com sua refeição.

9. A importância da individualidade na medicina e ajuste da dose de suplementos conforme necessidade individual

Mas, como tudo na medicina, a individualidade é a chave. Algumas pessoas podem não sentir diferença alguma com esse suplemento.

Nesses casos, pode ser que a dose tenha sido baixa para a sua necessidade. Por outro lado, se após tomar o cloridrato de Betaína você sentir algum desconforto ou agravamento dos sintomas, a dose pode ter sido excessiva para você.

Por isso, é essencial ajustar a dose de acordo com a sua necessidade individual. Enquanto algumas pessoas podem se beneficiar com uma dose de 100 mg, outras podem necessitar de 300 mg ou até mais.

O importante é ouvir o seu corpo, ajustar conforme necessário e, claro, sempre contar com a orientação de um profissional de saúde.

A relevância das enzimas digestivas, especialmente a pepsina, na digestão

Pessoal, quando falamos de digestão, temos que destacar dois outros super aliados!

Primeiro, as enzimas digestivas, especialmente a pepsina que digere proteína.

Independentemente de você estar lidando com muita ou pouca acidez estomacal, essas enzimas, ou um pool delas, entram em cena para otimizar a quebra de nossos alimentos.

10. Zinco Carnosina

Agora, uma revelação que muitos não conhecem: o Zinco Carnosina. Imagine um escudo protetor para o revestimento do seu estômago!

Este complexo, fruto da combinação de zinco e L-carnosina, tem mostrado resultados impressionantes, especialmente para quem sofre com problemas gástricos.

Ele age tanto nas situações de excesso quanto de falta de ácido, e estudos mostram sua eficácia em curar e proteger nosso estômago, inclusive ajudar na cicatrização de lesões ulcerativas no estômago.

E mais, ele é poderoso até contra a bactéria Helicobacter pylori. Fascinante, não é?

11. Benefícios do vinagre de maçã

E para aqueles que buscam uma solução mais natural e menos invasiva para otimizar a digestão, tenho uma dica valiosa: vinagre de maçã.

Ele é uma maravilha para o equilíbrio do pH estomacal. E por quê? Simples: ele possui um pH extremamente baixo, o que significa que é altamente ácido.

Esse perfil ácido permite que ele imite, de certa forma, os efeitos do suco gástrico no estômago.

Ao fazer isso, ele pode ajudar a complementar a acidez natural do estômago, especialmente em pessoas que têm uma produção insuficiente de ácido clorídrico.

Agora, se você está pensando em experimentar, comece devagar. Antes das refeições, tente tomar uma colher de chá de vinagre de maçã diluído em um copo de água.

Se você perceber um alívio nos sintomas, como azia, inchaço ou desconforto estomacal, isso pode ser um indicativo de que sua produção de ácido estomacal é baixa.

E o vinagre de maçã, neste caso, está ajudando a balancear esse pH.

Assista meu vídeo O QUE ACONTECE QUANDO VOCÊ TOMA VINAGRE DE MAÇÃ ANTES DE DORMIR

12. Sugestões adicionais para estimular a produção de ácido estomacal

Outras dicas são comer as folhas de dente Dente-de-leão ou usar suplementos e consumir ervas e folhas amargas, pois elas estimulam a produção de ácido no estômago.

Pessoal, é crucial entender que, seja muito ou pouco ácido, o equilíbrio é fundamental para a saúde do nosso sistema digestório.

E estar informado é o primeiro passo para garantir que estamos cuidando do nosso corpo da melhor maneira possível.

Vídeos relacionados a falta ou excesso de ácido no estômago 

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Muito obrigado pela sua atenção. Um grande abraço e um beijo no seu coração. Você é fera!

Referências

Dr. Alain Dutra
Dr. Alain Dutrahttps://artigos.alainuro.com
Dr. Alain Dutra é médico urologista. Além dos aspectos tradicionais de uma consulta médica, busco avaliar a sua vida como um todo, para entender onde seus hábitos de vida (sejam esses alimentares, de exercícios ou níveis de estresse) estão contribuindo para o seu atual estado de saúde.

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