Aumentam Casos de Gonorréia Resistentes a Antibióticos

A gonorréia é a mais comum e mais antiga de todas as DST. É a infecção purulenta de várias superfícies membranosas, provocada pela bactéria Neisseria gonorrhoeae. Pode provocar infecção na uretra, colo do útero, epidídimo (orgão anexo ao testículo), faringe (garganta), articulações, reto e doença inflamatória pélvica – infecção dos orgãos genitais pélvicos da mulher, como útero, trompas e ovários. Existe uma forma generalizada da doença que pode afetar vários orgãos. Pode facilitar a infecção pelo HIV e ser causa de gravidez ectópica – gravidez que se inicia fora do útero, pode levar a risco de vida para a mãe e que acaba quase sempre com interrupção da gestação. A mulher grávida infectada pode passar a doença para o filho durante o parto vaginal, na forma de conjuntivite que pode complicar com cegueira. Por isso é rotina há muitos anos o uso de colírio de nitrato de prata nos recém-nascidos no momento do parto.

As formas de transmissão são os contatos sexuais oral, vaginal e anal. Os fatores de risco para contrair gonorréia são os seguintes:

– Múltiplos parceiros sexuais.
– Baixo nível sócio-econômico.
– Histórico de outras DST simultâneas ou pregressas.
– Início precoce de vida sexual.
– Uso de DIU – dispositivo intrauterino.

Não há dados seguros sobre a incidência da gonorréia internacionalmente, mas há estimativas de que em alguns grupos atinja até 5% da população, muitos destes casos infecções assintomáticas. Existe uma predominância discreta no sexo feminino porém os casos assintomáticos estão concentrados neste grupo. Entre as mulheres, além do risco aumentado de gravidez ectópica e aborto, uma complicação comum é a infertilidade por entupimento das trompas provocado por complicações pós-inflamatórias.
O período de incubação varia entre 2 a 7 dias após a exposição. Os sintomas no homem são desconforto na uretra, ardência para urinar e corrimento uretral purulento com aspecto de leite condensado. No caso menos comum de epididimite, os sintomas são dor na parte de trás do testículo associado a inchaço no local. Em casos raros a uretrite gonocócica não tratada pode levar ao estreitamento da uretra e dificuldade para urinar com jato miccional fino. Nas mulheres os sintomas são corrimento vaginal, ardência para urinar, dor abdominal baixa com evolução lenta e progressiva, dor na penetração sexual e sangramento vaginal anormal. Em ambos os sexos a doença pode se manifestar em outros orgãos com os seguintes sintomas:

– Faringite – dor de garganta
– Infecção no reto – dor retal, coceira, secreção retal, diarréia sanguinolenta e sensação de vontade de evacuar sem a saída das fezes.

A forma disseminada da doença pode afetar 1 a 2 % dos infectados com sintomas variados dependendo dos orgãos afetados, como as juntas, tendões, pele, meninges (membranas que revestem o cérebro) e as válvulas do coração.
No aparecimento dos primeiros sintomas os pacientes devem procurar o médico. Normalmente o tratamento é baseado no diagnóstico clínico (história e exame físico), e exames normalmente só são necessários para rastreamento de outras DST ou nos casos mais complicados, como a Doença Inflamatória Pélvica (DIP).
O tratamento pode ser baseado em drogas orais como doxiciclina e azitromicina; ou injetáveis como ceftriaxona.

Infelizmente os casos de gonorréia resistente aos antibióticos estão aumentando em todo o Mundo. Nos EUA a resistência a azitromicina mais que quadruplicou em questão de 2 anos (de 0,6 a 2,5%). Isto sugere que a azitromicina ” será o próximo na longa linha de antibióticos em que a bactéria da gonorréia tornou-se resistente – uma lista que inclui a penicilina , tetraciclina e fluoroquinolonas “, disse o CDC, o Centro Americano de Controle e Prevenção de Doenças.
Lamentavelmente boa parte dos jovens de hoje não se previnem com o uso de preservativos devido a banalização do tratamento do HIV, devido a idéia de que a AIDS não mata mais e é “administrável”. Isto aumentou muito os casos de gonorréia e o uso indiscriminado de antibióticos têm aumentado a resistência.

Referência:
1. Neisseria gonorrhoeae Antimicrobial Susceptibility Surveillance — The Gonococcal Isolate Surveillance Project, 27 Sites, United States, 2014. MMWR July 15, 2016 / 65(7);1–19.

Dr. Alain Dutrahttps://artigos.alainuro.com
Dr. Alain Dutra é médico urologista e aplica a Medicina Funcional, Integrativa e de Estilo de vida e princípios ortomoleculares.

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1 COMENTÁRIO

  1. Nossa …muitíssimo importante esse conhecimento e essa explicação, bom seria se a maioria dos jovens se interessassem um pouco mais e levassem a sério td isso ,de que, qt a prevenção é realmente é necessária e eficaz.

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