O USG é método indolor, sem efeitos colaterais de radiação ionizante, e que pode ser levado a beira de leitos (como em UTIs) com facilidade. Praticamente todos os orgãos podem ser avaliados pelo USG. Muito bom para acompanhamento de evolução das mais diversas doenças, como hematomas, infecções, tumores, etc. Excelente ferramenta para avaliar circulação arterial e venosa de maneira não invasiva através do recurso de Doppler. Impensável hoje em dia fazer um acompanhamento pré-natal sem USG.

Porém este importante instrumento diagnóstico é frequentemente mal usado no nosso país.

Porque ?

Todos os médicos com um pouco mais de experiência perceberam que ao longo das últimas décadas um fenômeno de banalização afligiu o setor de ultra sonografia diagnóstica.

Razões para este fenômeno, em minha humilde opinião, compartilhada por muitos:

  1. Com o aumento explosivo no número de exames solicitados nos últimos 30 anos, muitos convênios e o SUS foram aos poucos “arrochando” o valor pago por exame, obrigando os médicos a cumprirem uma jornada estafante de número de exames para manter a mesma renda.
  2. Esta área da Medicina passou a atrair cada vez mais médicos que não gostam muito de contato com pacientes. E muitos destes médicos não tem muito compromisso com resultados ou com qualidade.
  3. Queda do valor dos aparelhos, o que levou ao surgimento de muitos serviços pouco compromissados com qualidade e preocupados em gerar grande volume de exames e lucros.

ATENÇÃO : Existem muitos médicos que fazem USG de excelente qualidade e que além de ultrassonografistas são também excelentes médicos clínicos, caso da minha esposa. Aqui comento situações comuns que estão longe de representar a totalidade.

Hoje em algumas situações chega a ser difícil encontrar um exame feito com qualidade. Muitos pacientes comentam no consultório como alguns ultrassonografistas realizam o exame de maneira rápida e superficial. Acredito que 30% dos meus pedidos de tomografia computadorizada (TC) – exame este que leva radiação ionizante e se feito em exagero pode até dar câncer – sejam por causa de exames de USG mal feitos.

Aí é que eu vejo onde os convênios e  SUS se “estrepam”. De que vale querer pagar R$ 20 em um exame se ele vai gerar lá na frente um custo de R$ 500 a R$ 2000 em um exame mais caro, como TC ou ressonância ? Não era melhor pagar bem pelo USG e exigir uma qualidade mínima ? Porque a maioria dos convênios não se preocupa em avaliar a opinião dos médicos sobre a qualidade dos USG que recebem em consultório ? Porque não perguntam a opinião dos pacientes ? Simplesmente não dá para entender.

Será que não dá para voltar atrás nessa situação ? Pode ser complicado convencer os convênios e mesmo o SUS a exigir parâmetros mínimos de qualidade dos exames e passar a pagar melhor por eles. Mas não quero perder a esperança.

Gostaria de deixar claro de que se trata apenas de minha humilde opinião, embasada e respaldada por quase 20 anos de Medicina. Opiniões contrárias são bem vindas até mesmo para eu poder evoluir como pessoa e profissional.

2 COMENTÁRIOS

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.