Seria a vitamina K um elo perdido no Covid-19?

Seria a vitamina K um elo perdido no Covid-19?

A vitamina K, vem ganhando atenção e pesquisas.

Superar as deficiências de micronutrientes, como zinco, vitaminas C e em especial do Hormônio D, ganhou atenção como uma parte potencial da construção de uma resposta imunológica estratégica para se fortalecer contra a pandemia de COVID-19.

Várias meta-análises já demonstraram benefícios da vitamina D contra infecções do trato respiratório; baixos níveis de vitamina D foram associados a um maior risco de infecção e gravidade dos sintomas.

Achados semelhantes foram publicados sobre uma associação de baixos níveis de vitamina D e um maior risco de infecção grave por SARS-CoV-2.

Mas agora a vitamina K, vem ganhando atenção e pesquisas

Coagulopatia e tromboembolismo são prevalentes em COVID-19 grave e esses fatores estão associados à redução da sobrevida.

A coagulação é um equilíbrio fundamental entre os processos de promoção e dissolução de coágulos nos quais a vitamina K desempenha um papel essencial.

Diferenças estruturais das vitaminas K1 e K2

Devido a suas diferenças estruturais, as vitaminas K1 e K2 têm resultados metabólicos diferentes.

A vitamina K1 é usada diretamente pelo fígado, onde ativa fatores vitais de coagulação.

Por outro lado, o K2 fica disponível para o resto do corpo ativar proteínas diferentes, mas igualmente cruciais.

Nos ossos, ela incorpora cálcio à matriz óssea, costumo dizer que a K2 é o GPS do cálcio.

Em tecidos moles, como vasos sanguíneos ou pulmões, ela evita a deposição de cálcio, degradação da fibra elástica, trombose e inflamação.

Vitamina K2: Uma conexão comum com o cálcio

A ingestão de vitamina D é geralmente considerada segura, mas altas doses de vitamina D sem acompanhamento médico, pode induzir hipercalcemia de curto prazo, um aumento transitório nos níveis de cálcio sérico.

O cálcio, embora vital para o funcionamento normal do corpo humano, pode ter consequências deletérias quando não pode ser adequadamente absorvido pela matriz óssea.

A deposição de cálcio nos vasos sanguíneos ou nas fibras elásticas dos pulmões pode causar danos.

A co-suplementação de D com vitamina K2 pode minimizar esse risco de calcificação.
Através de sua conexão comum com o metabolismo do cálcio, as vitaminas D e K2 podem trabalhar em conjunto para a saúde óssea, vascular e imunológica.

Estudos com a Vitamina K e sua relação contra o COVID

Pesquisas mais recentes mostraram que resultados ruins de COVID-19 se correlacionam com baixo nível de vitamina K1 e K2.

Um estudo recente avaliou os níveis séricos de vitamina K em pacientes hospitalizados com COVID-19 e descobriu que aqueles com resultados ruins do COVID-19 tinham os níveis mais baixos de vitamina K.

Em comparação, as pessoas saudáveis com testes negativos para COVID mostraram níveis adequados de vitamina K.

Um segundo estudo não publicado ainda, posteriormente confirmou essa correlação: Os baixos níveis de K2 foram significativamente menores entre os pacientes com COVID-19, e uma análise estatística mostrou que a mortalidade entre os pacientes com COVID-19 era “dependente do status baixo de vitamina K”.

Isso sugere que a vitamina K desempenha um papel nos mecanismos da doença, observaram os autores.

Outros estudos publicados sobre a vitamina K

O British Journal of Nutrition publicou uma revisão da literatura científica disponível sobre o metabolismo da vitamina K e sua conexão com COVID-19.

Os autores apresentaram a deficiência de vitamina K como um possível “elo perdido” potencial entre dano pulmonar e tromboembolismo, dois dos desfechos mais graves observados em COVID -19.

A vitamina K também pode desempenhar um papel na resposta do corpo à inflamação.

Existe um bom suporte científico apontando para o papel da vitamina K na modulação do complexo de sinalização celular do fator nuclear kappa B (NF-kB). Este importante fator de transcrição ajuda a regular os genes responsáveis pela resposta imune inata e adaptativa.

A vitamina K pode regular a ativação da via do NF-kB, modulando as respostas imunológicas e inflamatórias.

Da mesma forma, a vitamina K inibe a liberação de citocinas, entre as quais a potente citocina interleucina 6 (IL-6), que é usada como um marcador inflamatório para infecção grave do COVID e com mau prognóstico.

Ensaio clínico realizado na Holanda

Um ensaio clínico investigando os possíveis benefícios da suplementação de vitamina K2 em pacientes com COVID-19 foi iniciado pelo Canisius Wilhelmina Hospital, Nijmegen, Holanda.

Financiado pela Kappa Bioscience, o estudo randomizado, duplo-cego e controlado por placebo “KOVIT” visa avaliar se o status da vitamina K afeta a degradação das fibras elásticas nos pulmões.

A pesquisa será conduzida por dois médicos – o pneumologista Rob Janssen, Ph.D., e o investigador coordenador Jona Walk, Ph.D., residente em medicina interna.

“Há uma necessidade de mais evidências experimentais para vincular a deficiência de vitamina K à patologia de COVID-19 e determinar se a suplementação de vitamina K2 tem um lugar nos protocolos de tratamento”, detalhou Janssen.

“O papel potencial da suplementação de vitamina K2 para prevenir o desenvolvimento de COVID-19 grave em indivíduos que ainda não contraíram COVID-19, mas estão em risco de infecção, também é muito relevante para avaliar.”

Como melhorar o aporte de vitamina K?

A vitamina K é um importante nutriente solúvel em gordura que desempenha um papel central em muitos aspectos da nossa saúde.

Na verdade, este micronutriente essencial demonstrou:

  1. Melhorar a resistência óssea;
  2. Proteger contra doenças cardíacas;
  3. Melhorar o controle do açúcar no sangue;
  4. Combater o câncer;
  5. Aumentar a função cerebral;
  6. Garantir a formação de coágulos sanguíneos saudáveis.

Existem dois tipos principais desta vitamina importante

A vitamina K1 que é mais facilmente encontrada em alimentos vegetais, bem como vegetais verdes folhosos, enquanto a vitamina K2 está em produtos de origem animal e alimentos fermentados como laticínios e natto.

A K2 também é produzido por bactérias benéficas em seu microbioma intestinal, por isso manter uma saúde intestinal em dia pode favorecer muito.

Incluir uma porção de alimentos com vitamina K em cada refeição pode ajudar a atender facilmente às suas necessidades, por isso sua deficiência é mais rara.

Algumas pessoas precisam suplementar, em especial a K2, mas o foco aqui são alimentos que você pode consumir diariamente.

Aqui estão algumas das principais fontes de vitamina K1

  1. Couve – ½ xícara cozida: 531mcg
  2. Espinafre – ½ xícara cozida: 445mcg
  3. Folhas de nabo – ½ xícara cozida: 265mcg
  4. Beterraba – ½ xícara 295mcg
  5. Dente-de-leão – ½ xícara crua: 214mcg
  6. Mostarda – ½ xícara cozida: 210mcg
  7. Acelga – ½ xícara crua: 150mcg
  8. Couves de Bruxelas – ½ xícara cozida: 109mcg
  9. Cebolinhas (cebolinha) – ½ xícara crua: 103mcg
  10. Alface-romana – 2 xícaras 96mcg
  11. Manjericão 1/2 xícara 87mcg
  12. Repolho – ½ xícara cozida: 81,5 mcg
  13. Kiwi – 1 xícara – 71mcg
  14. Melão – 1 xícara 54mcg
  15. Brócolis – ½ xícara 46mcg
  16. Abacate – 1 xícara – 31,5mcg
  17. Amoras – 1 xícara – 29mcg
  18. Mirtilos – 1 xícara – 29mcg
  19. Couve-flor – 1 xícara 17mcg
  20. Romã – xícara – 14mcg

Aqui as principais fontes de Vitamina K2

  • Natto: 28 gramas contem 313mcg
  • Fígado de boi: 1 fatia: 72mcg
  • Frango, especialmente carne escura: 90 gramas: 51 mcg;
  • Queijos duros (como Gouda, Pecorino Romano, Gruyere, etc.): 28 gramas – contem 25mcg;
  • Carne: 90 gramas: contem 8mcg;
  • Gema de ovo, especificamente de galinha caipira: 5,8mcg;
  • Rins de boi / carne de órgão: 90gramas: 5 mcg;
  • Fígado de frango: 28 gramas: contem 3,6 mcg;
  • Bacon artesanal/ presunto curado: 90 gramas: contem 3mcg;
  • Manteiga orgânica: 1 colher de sopa: 3mcg;
  • Creme de leite: 2 colheres de sopa: 2,7mcg.

Podemos ver que a K2 é muito mais difícil de adquirir na alimentação diária, por ter a sua maior fonte de origem animal.

Os animais ajudam a transformar a vitamina K1 em K2, enquanto os humanos não têm a enzima necessária para fazer isso com eficiência.

Quanto mais vitamina K1 um animal consome na sua dieta, maior o nível de K2 que será armazenado nos tecidos.

Este é o motivo pelo qual os produtos animais “alimentados com pasto” e “criados a pasto” são superiores aos produtos que vêm de animais criados em fazendas industriais.

Assista meu vídeo sobre a vitamina K2

REFERÊNCIAS:

 

36ba000bbef6eff0bba1f0259a77102f?s=96&r=g
Dr. Alain Dutrahttps://artigos.alainuro.com
Dr. Alain Dutra é médico urologista e aplica a Medicina Funcional, Integrativa e de Estilo de vida e princípios ortomoleculares.

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