A história do Dr. Alain Dutra

O dia em que pensei largar a medicina. Eu resolvi contar um pouco da minha história em uma série de vídeos, inspirado em um artigo que li recentemente.

Se você acompanhar esse artigo, vai descobrir como os jovens médicos estão adoecendo, e o que a medicina convencional tem a ver com isso.

Doutores na faixa dos 28 a 30 anos de idade estão abandonando a medicina nos Estados Unidos. Esse é o assunto do artigo que li.

Muitos estão abandonando a própria vida.

O suicídio de médicos nos Estados Unidos é de um caso por dia!

O dobro da população em geral. Infelizmente não temos estatísticas confiáveis no Brasil, mas sabemos que a profissão médica é a categoria profissional líder em tirar a própria vida.

Muito triste isso, não é pessoal?

Mas quais seriam os motivos?

Os mais jovens acreditam que a medicina é um navio a deriva onde os médicos estão perdendo a autonomia e chegando muito rapidamente ao esgotamento físico e mental.

E não são só esses médicos novatos que pensam assim.

A substituição da autonomia atual dos médicos por protocolos gerenciados, na grande maioria das vezes por não médicos, e que são orientados exclusivamente por questões econômicas, é a grande frustração com a prática médica atual.

A Dra. Pamela Wible fez um estudo em que analisou 1363 suicídios de médicos.

Ela descobriu que “a medicina feita como se fosse uma linha de montagem mata médicos” e que “a pressão das empresas de seguros e convênios, mais as políticas governamentais esmagam ainda mais as almas dessas pessoas talentosas que querem apenas ajudar seus pacientes”.

Isso me fez lembrar do dia em que pensei largar a medicina.

Estava trabalhando basicamente em hospital e atendendo pacientes de convênios.

O meu dia a dia eram consultas de 15 minutos de duração intercaladas com uma rotina de cirurgias endoscópicas para remoção de pedras urinárias.

Estava me sentindo cansado e desmotivado, porque os pacientes que eu operava voltavam meses depois com outra pedra a ser removida.

Eu era apenas uma engrenagem dentro de uma máquina perversa em que a maioria dos lucros ficavam com hospitais e empresas de medicina de grupo.

Ninguém se preocupava com a origem das doenças ou com o trabalho de prevenção.

Aí tomei a decisão de fazer um MBA executivo em saúde pela Fundação Getúlio Vargas.

O objetivo era me tornar gestor em saúde e largar essa rotina que estava me massacrando.

Acabei fazendo esse curso e até ganhei um prêmio por ter o único trabalho de conclusão de curso na área de Saúde agraciado entre os mais relevantes TCC’s da FGV do ano de 2009.

Mas o destino acabou querendo que eu me mantivesse médico e descobrisse a medicina funcional, integrativa e de estilo de vida.

E hoje, graças a Deus, a minha vida é completamente diferente e estou de fato mudando vidas, tanto online nas redes sociais, como presencialmente tratando dos meus pacientes.

Uma coisa semelhante aconteceu com um jovem médico ortopedista descrito no artigo do Medscape.

Após seis anos de especialização ele simplesmente largou o trabalho de hospital para se tornar gestor.

Administradores que nunca haviam experimentado um dia de residência médica ou sequer tinham pisado em uma clínica, queriam fornecer “orientações” sobre como ele deveria praticar a medicina.

Foi feita recentemente uma pesquisa no Twitter americano entre médicos, e entre os que responderam, 65% estavam considerando uma aposentadoria precoce, ou mudança de carreira.

Muitos médicos que responderam à enquete do Twitter esclareceram que adoravam tratar e ajudar seus pacientes, mas que o sistema havia se tornado muito difícil de lidar. ]

Entre os motivos alegados para a desilusão médica estão os seguintes:

  1. A primeiro motivo é a perda de autonomia dos médicos, que são obrigados a seguir protocolos motivados por questões econômicas.
  2. O segundo motivo é a desvalorização dos médicos. Esse movimento aparentemente acontece no Mundo inteiro. A classe virou bode expiatório para um monte de problemas na Saúde e outras profissões estão ocupando o espaço que antes era exclusivo dos médicos.
  3. E o terceiro e último motivo, nas palavras do autor do artigo, é a grande desilusão e raiva entre os médicos sobre a crescente desconsideração a respeito da enorme quantidade de tempo e sacrifício que os médicos fizeram para concluir o treinamento. Os médicos se arrependem cada vez mais de terem que deixar a família de lado ou abandonar outros interesses durante a faculdade e residência médica.

A minha atual autonomia como médico e a satisfação de estar aplicando uma medicina realmente efetiva e que vai na raiz dos problemas, além de ter me afastado dos hospitais que eram grande fonte de estresse para mim, resolveram essa minha crise na profissão, anos atrás.

Mas infelizmente muitos médicos estão doentes, obesos, esgotados e com péssimos hábitos de vida e não servem de exemplo para seus pacientes.

E esse sistema perverso aparentemente não dá nenhum sinal de arrefecer e está virando uma máquina de moer talentos médicos.

Trata-se do mesmo sistema que permite duas poderosas indústrias acabarem com a sua Saúde: A de medicamentos e de a de alimentos. O sistema que adoece a população em geral também adoece os próprios médicos que ainda são escravos de uma medicina convencional.

Aos poucos eu vou contando a minha história pessoal e o que me motiva atualmente a praticar medicina.

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