O que é bom para todos é bom para mim?

O que é bom para todos é bom para mim?

Não somos necessariamente o mesmo homem primitivo que já fomos. E, em muitos aspectos, especialmente quando se trata de comida, somos cada vez mais diferentes uns dos outros.

Falar de um determinado alimento como “bom” para você depende de quem você é. Bom para todos? Bem, depende muito de vários fatores da sua vida.

Por isso, cada dia mais a medicina personalizada e a nutrição funcional fazem sentido.

Devido às nossas variadas experiências, regiões que crescemos, exposições que tivemos (ou seja, a antibióticos, toxinas, vacinas etc.) e também à genética, não somos todos iguais.

Por exemplo, crescer no campo ou na cidade grande pode trazer diferenças no modo que seu sistema imune é treinado, de maneira que isso pode impactar sua saúde no futuro no sentido daquilo que faz bem ou não para você.

Claro que consideramos muito que a dieta natural, menos processada possível, é um pilar universal.

Muito da criação de um ambiente adequado para a saúde envolve recomendações primitivas com as quais todos provavelmente sabem que são essenciais: alimentação natural, tempo de sono adequado, atividade física, exposição solar e caminhadas pela natureza.

Isso é fundamental. No entanto, falando apenas da dieta, para alguns pode exigir também a redução de alimentos aparentemente saudáveis.

O último superalimento que todos falam pode beneficiar muitos, mas pode deixar também outros doentes.

Nossa atual e complicada relação com a comida não pode ser discutida sem considerar essas frentes: a inflamação, o estresse oxidativo e a epigenética.

Vou dar alguns pequenos exemplos de “o que é bom para todos é bom para mim?”

Reações a alimentos

Algumas pessoas terão reações alérgicas completas a certos alimentos que sabemos que são inflamatórios, como o glúten, por exemplo.

Outros podem ter reações a alimentos saudáveis como ovos.

E se alguém tem “intestino permeável”, pode ter reações inflamatórias a vários alimentos. Ainda assim, os desafios podem ficar muito mais complicados em torno de certos alimentos.

Assista meu vídeo Como curar o intestino hiperpermeável

Excesso de cobre

Eu vejo pessoas com sobrecarga de cobre ou toxicidade que pode causar uma série de sintomas psiquiátricos, inclusive um fator para doença de Alzheimer.

Metais como cobre ou zinco são importantes e ocorrem naturalmente em nosso corpo, além de estarem presentes nos alimentos.

O cobre pode estar alto por causa da exposição excessiva a este metal. Mais frequentemente, pode ser devido ao alto estresse oxidativo e/ou fatores genéticos.

Crescimento anormal de fungos

Algumas pessoas podem combater o crescimento excessivo de cândida por anos – um fungo que ocorre normalmente no trato gastrointestinal e que pode crescer após o uso de antibióticos, por exemplo.

Isso pode causar reações a vários alimentos, incluindo aqueles que são produtos da fermentação (ou seja, álcool, café, queijo envelhecido, molho de soja, etc.), malte, bem como doces ou outros alimentos ricos em carboidratos.

Assista meu vídeo Os fungos podem estar dominando você – Conheça a Síndrome fúngica

Consumo de fibras

Quando se fala em saúde intestinal, as fibras logo surgem como promotoras da saúde e bem-estar, mas em alguns casos elas podem ser uma faca de dois gumes.

As fibras não servem apenas para facilitar o trânsito intestinal: elas ajudam no controle de algumas doenças sistêmicas como o diabetes e o aumento do colesterol no sangue, entre outros benefícios importantes.

E o que elas têm a ver com o que eu estou falando: criar um ambiente intestinal adequado para o sistema imunológico pode envolver uma redução de alimentos aparentemente saudáveis, como as fibras.

Evidências e experiências mostram que dietas ricas em carboidratos e fibras podem irritar o microbioma intestinal de algumas pessoas, especialmente aquelas comprometidas por condições de autoimunidade, Síndrome do Intestino Irritável ou SIBO.

Em vez disso, adotar uma dieta com baixo teor de carboidratos fermentáveis, como a dieta com baixo teor de FODMAP, é mais eficaz no alívio dos sintomas e da inflamação.

Assista meu vídeo SIBO | Síndrome do intestino irritável

Intolerância à Histamina

 

Outro exemplo, algumas pessoas podem ter problemas com alimentos ricos em histamina (novamente alimentos que são produtos de fermentação, mas são saudáveis como o abacate, lentilha, morango, só para citar alguns).

A Intolerância à Histamina também é conhecida como “Síndrome da Ativação dos Mastócitos”.

Assista meu vídeo Porque não tolero tratamentos e sempre passo mal? | Pessoas hipersensíveis

Alimentos ricos em oxalatos

Um problema alimentar que (para aqueles suscetíveis) pode ser bastante piorado pelos alimentos “saudáveis” está relacionado a alimentos ricos em oxalatos.

Há um número de pessoas sofrendo com fibromialgia e fadiga crônica e que, sem saber, têm problemas com oxalatos que se combinam com o cálcio para formar cristais.

Então você com Fibromialgia deixa de tomar o leite de vaca inflamatório e passa a consumir o leite de amêndoas, por exemplo.

Isso pensando em melhorar os sintomas ou mesmo em uma alimentação mais saudável. Mas, percebe uma piora dos sintomas sem nem imaginar que as amêndoas são ricas em oxalatos.

Embora os oxalatos estejam associados a pedras nos rins, eles também parecem armazenar e causar estragos em outras partes do corpo.

Especula-se que a causa, na maioria dos casos, pode estar relacionada à perda de um micróbio específico (devido a uso de antibióticos na infância e juventude) que normalmente decompõe os oxalatos.

Alimentos ricos em oxalatos são alguns dos notoriamente saudáveis, como espinafre, cenoura crua, aipo cru, couve, batata-doce, amaranto, amoras e amêndoas, para citar alguns.

Afinal, o que é bom para todos é bom para mim?

A grande confusão que as pessoas estão enfrentando é que tudo parece fazer mal, que não se pode comer mais nada.

Mas, como você pode ver, a nossa genética, estresse oxidativo e alteração no microbioma causados por fatores ambientais, podem criar problemas alimentares complicados.

Se você nunca teve esses problemas, seja grato e seja compassivo com aqueles que têm. Não leve para o lado pessoal quando alguém não vai comer aquela sobremesa incrível que você fez.

E, se você é aquela pessoa que está começando a reconhecer a relação entre o que você come e como você se sente, saiba que geralmente muitos desses problemas podem ser descobertos e contornados com uma investigação cuidadosa.

Ao fazer mudanças na dieta, é crucial ouvir seu corpo e julgar o que funciona para você.

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Dr. Alain Dutrahttps://artigos.alainuro.com
Dr. Alain Dutra é médico urologista. Além dos aspectos tradicionais de uma consulta médica, busco avaliar a sua vida como um todo, para entender onde seus hábitos de vida (sejam esses alimentares, de exercícios ou níveis de estresse) estão contribuindo para o seu atual estado de saúde.

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