Há alguns meses gravei um vídeo como Live no Facebook  criticando um suposto risco aumentado de doenças cardiovasculares (DCV) e arteriosclerose associado a consumo de ovos. Este vídeo também foi publicado no meu canal do Youtube.

Neste vídeo critico posição do site Nutritionfacts.org que condena o ovo como alimento por ser rico em colina e ser processado por bactérias intestinais e convertido em TMA (trimetilamina) que posteriormente é convertido em TMAO (óxido de N-trimetilamina) .  O TMAO tem sido associado a DCV e arteriosclerose.

O site do dr. Mercola já se posiciona sobre o assunto desde 2013 e também critica firmemente esta posição contra o TMAO inclusive comentando de forma muito sólida que nem a carne vermelha ou ovos são os principais fatores no aumento de produção de TMAO. Os alimentos que mais aumentam a produção de TMAO são os frutos do mar. E é sabido que frutos do mar reduzem o risco de DCV. Portanto essa associação entre TMAO e risco de DCV é muito fraca e não deve ser valorizada, pelo menos até o momento. A ênfase deve ser muito mais em melhorar a flora intestinal do que evitar colina, L-carnitina ou lecitina, possíveis precursores do TMAO.

Porém no vídeo comento que quem tem boa metilação teria menos produção de TMA. Fiz essa afirmação me baseando na figura abaixo, que retirei deste artigo científico .

Esta afirmação minha é equivocada, porque a transformação de colina em TMA não depende de “metilação” mas de ação de algumas bactérias intestinais, que pode ser melhorada com o uso de probióticos. A razão da minha confusão é que a colina pode também ser convertida em betaína pela ação da enzima colina desidrogenase (CHCD). Quanto mais colina for convertida em betaína teoricamente menos sobraria para ser convertida em TMA. Mas são dois processos distintos, um mediado por bactérias e outro por enzima do organismo.

Portanto aqui retifico que a minha explicação para o porquê do ovo não fazer mal não tem nada a ver com “metilação otimizada” . Tem a ver com ação de bactérias intestinais que ainda é muito mal compreendida. Mas como é dito no site do Dr. Mercola, essa associação entre TMAO e arteriosclerose é equivocada. Outro artigo menciona que a deficiência de TMAO pode ser tão ruim como o excesso do mesmo, portanto nada está ainda definido em relação a ele.

Agradeço aqui publicamente  Luiz Carlos e Yago Rafael , cujas perguntas e questionamentos críticos me levaram a refletir mais sobre o assunto.

 

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