Prostatite crônica não bacteriana ou síndrome da dor pélvica crônica 

O objetivo deste texto é prestar informações sobre esta doença de difícil entendimento e tratamento.

As prostatites são inflamações na glândula prostática provocadas por bactérias (tipo I e II) e por causas desconhecidas (tipo III). Os sintomas característicos são dor na parte baixa da barriga (pelve) e/ou na região entre o escroto e ânus (períneo), ardência ou desconforto para urinar, aumento na frequencia das micções e desconforto no ato sexual.

Existe uma classificação das prostatites baseado no tempo de duração e intensidade dos sintomas e na presença ou não de bactérias na urina ou líquido prostático. Em Medicina uma doença é chamada de aguda quando os sintomas são de instalação rápida e normalmente mais intensos e de crônica quando os sintomas demoram mais para se desenvolver e geralmente com intensidade menor. Desta forma as prostatites são classificados como aguda ou tipo I, crônica bacteriana ou tipo II e crônica não-bacteriana ou tipo III.

O tipo I é de instalação súbita com dor intensa e febre associada. Pode evoluir com formação de pus na próstata e necessita normalmente de internação hospitalar para seu tratamento.
O tipo II e III são mais discretos devido a dor ser de intensidade leve a moderada e com características de ir e voltar (intermitente) e não ser acompanhado de febre.
O tipo III é o mais comum entre os 3 tipos. Infelizmente este também é o tipo de controle mais difícil. Este tipo é subdividido em IIIa ou IIIb de acordo com a presença ou não de células brancas no líquido prostático apesar de hoje em dia esta subdivisão não ter mais significado prático.

Quando os sintomas persistem por mais de 3 meses e os exames de urina e esperma não apresentam bactérias normalmente se trata do tipo III.

TRATAMENTO TRADICIONAL:

O tratamento inicial normalmente é com antibióticos, que podem ser utilizados por até 3 meses. Se este curso de 3 meses não for eficaz na resolução dos sintomas opta-se por outras classes de medicamentos:

  • alfa-bloqueadores – são “relaxantes musculares” da próstata. Normalmente a primeira opção quando os medicamentos não são eficazes. Tem eficácia regular a boa e estão indicados para uso prolongado (cerca de 6 meses ou mais) quando eficazes.
  • Anti-inflamatórios – possuem indicação limitada apesar de serem eficazes, devido aos possíveis efeitos colaterais decorrentes do uso prolongado, entre eles, úlcera péptica e lesão nos rins. Uma exceção são os anti-inflamatórios fitoterápicos da próstata que apesar de apresentarem menos potência são seguros para uso prolongado (p.ex. Pygeum africanum)
  • Anti-depressivos – são medicamentos que atuam como neuro-moduladores, ou seja, alteram a percepção da dor crônica nos paciente com prostatite crônica não-bacteriana. Estão particularmente indicados para os pacientes com sinais e sintomas sugestivos de depressão e ansiedade.
  • Analgésicos e anti-espasmódicos em geral – aliviam a dor mas tem a desvantagem de não atuarem diretamente na causa do problema, desta forma com maior chance de retorno rápido dos sintomas após o descontínuo do uso.

TRATAMENTO ALTERNATIVO:

  • Saw palmetto
  • Urtica dioica
  • Pygeum africanum
  • Outros fitoterápicos e nutracêuticos
  • Uso do GABA (acido gama-amino-butirico)
  • Meditação e Yoga
  • Uso de medicações quânticas

É importante compreender que algumas vezes são necessários meses para se acertar o melhor tratamento desta difícil doença, e que uma boa comunicação entre médico e paciente é fundamental. A cada troca de médico o paciente frequentemente perde meses no tratamento, porque todo o progresso é desperdiçado. Um tratamento que para um paciente é eficaz para outro não é, devendo-se “tatear” no tratamento até a melhor opção ser encontrada. É importante frisar que apesar do impacto muitas vezes significativo na qualidade de vida, esta doença normalmente não evolui para algo grave como câncer. Se você acredita ter essa doença marque consulta comigo para avaliarmos.

Dr. Alain Dutrahttps://artigos.alainuro.com
Dr. Alain Dutra é médico urologista e aplica a Medicina Funcional, Integrativa e de Estilo de vida e princípios ortomoleculares.

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12 COMENTÁRIOS

  1. Tenho 35 anos e tenho tds sintomas de prostatite inclusive dor pelvica pontadas entre o anus e testiculos . Agora qase ja n sinto prazer n tenho ereccao . Sou angolano e ca qase n temos tratamentos eficazes por favor me ajude o q posso fazer

  2. Olá, fui diagnosticado com prostatite, comecei o tratamento tomando Levoxin por 28 dias. Ocorreu uma melhora, porém continuo com sintomas. estou tomando Omnic Ocas a mais ou menos 3 meses. Mudei para Combodart e retornei para o Omnic. Tenho dores no períneo e testículos, dores na bexiga e pélvis, também dores abdominais que não consigo identificar. Tenho muitos cálculos nos rins, pequenos, talvez isso dificulte o problema. Pode me ajudar?

  3. Fui diagnósticado com prostatite não bactériana crónica a um ano. Tive uma crise está semana e estou tendo problemas na ereção. Com o tratamento poderei voltar a telas normalmente?

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