Conheça a estranha doença de Peyronie – que provoca tortuosidade no pênis

A principal característica da doença de Peyronie é o desenvolvimento de placas ou nódulos endurecidos que se instalam na camada que envolve os corpos cavernosos – as estruturas do pênis responsáveis pela ereção –  e comprometem a elasticidade impedindo a sua expansão. Isto dificulta a ereção, porque provoca distorções na forma e inclinação do pênis, e além disso deixa o pênis torto e  com curvatura.

A doença de Peyronie se manifesta, em geral, depois dos 50 anos, mas eventualmente acomete homens jovens. Alguns meninos podem apresentar uma alteração da curvatura peniana chamada pênis curvo congênito, provocada pela desproporção entre o tamanho maior dos corpos cavernosos e menor da uretra, mas que só requer tratamento se prejudicar o desempenho sexual no futuro.

Causas

Não estão bem definidas as causas da doença, mas pequenos traumatismos ocorridos durante a relação sexual podem resultar em cicatrizes que interferem na ereção.

Estudos estão mostrando que existe uma associação dessa enfermidade com doenças reumatológicas, diabetes e uso de betabloqueadores para controlar a hipertensão arterial.

Embora não se possa dizer que seja uma doença de caráter hereditário, parece que a incidência é maior em homens da mesma família.

Sintomas

Presença de nódulo, palpável ou não, associado à dor e à curvatura do pênis durante a ereção. Essa curvatura faz com que ele se posicione para baixo, para cima ou para o lado.

Muitos pacientes ficam tão abalados, quando os sintomas se instalam, que perdem a capacidade erétil por causa da ansiedade.

Diagnóstico

O diagnóstico é basicamente clínico e, quanto antes seja feito, melhor para o resultado do tratamento. Raramente se faz necessário recorrer aos exames de ultra som e ressonância magnética para visualizar a placa fibrótica e estabelecer o diagnóstico.

Tratamento

Em 20% dos casos, as placas desaparecem espontaneamente, sem tratamento algum, entre um ano e meio e dois anos. Quando o problema persiste, alguns medicamentos que agem no metabolismo das células produtoras da fibrose apresentam bons resultados, como Vitamina E, colchicina e POTABA. Aplicação local de gel de enzimas ou de bloqueadores de canais de cálcio também podem ajudar.

Dentro da Medicina Funcional e Integrativa o uso de iodo em doses sensatas e a aplicação de Ozônio medicinal nas placas tem apresentado bons resultados, superiores ao tratamento tradicional.

Existem vários tratamentos experimentais, ainda não liberados para uso na população geral, como a litotripsia extracorpórea por ondas de choque.

Esgotadas essas possibilidades, só depois de dois anos de evolução da doença e apenas quando a alteração prejudica a atividade sexual, o que ocorre em menos da metade dos casos, o paciente é encaminhado para cirurgia. A anestesia é geral ou de bloqueio peridural ou raquidiano.

Existem duas técnicas cirúrgicas que podem ser usadas para corrigir a curvatura do pênis. A primeira tenta compensar o desvio, fazendo uma prega no corpo cavernoso do lado oposto àquele em que se situa a placa. O inconveniente dessa técnica é interferir no tamanho do pênis, que fica menor. A outra consiste em fazer uma incisão em forma de H para liberar na placa. Em seguida, coloca-se um enxerto (um fragmento da veia safena ou de pericárdio bovino) no local da lesão. Em 90% dos casos os resultados são satisfatórios: retifica-se o pênis sem comprometer a capacidade de ereção.

Recomendações:

  •  Não se aflija com a presença de uma placa ou um nódulo característicos da doença de Peyronie, se eles não interferem na atividade sexual. Nesses casos, não há sequer necessidade de tratamento clínico ou cirúrgico;
  • Procure manter a calma e controlar a ansiedade. Esta, sim, pode ser responsável pela perda da capacidade erétil;
  • Lembre-se de que o uso de aparelhos para aumentar o tamanho do pênis sem acompanhamento médico pode agravar o trauma responsável pela formação da placa e piora o quadro;
  • Saiba que a doença de Peyronie é benigna e, mesmo sem tratamento, não representa nenhum risco para a saúde de seus portadores.

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Dr. Alain Dutrahttps://artigos.alainuro.com
Dr. Alain Dutra é médico urologista e aplica a Medicina Funcional, Integrativa e de Estilo de vida e princípios ortomoleculares.

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7 COMENTÁRIOS

  1. Olá,
    Tenho 52 anos de idade, já convivo com uma placa peniana há mais de 2 anos, meu pênis já teve: para direita, esquerda e agora para cima, espero que não venha para baixo. O problema é que estou tendo dificuldade para penetração e a minha ereção já diminuiu algo em torno de 20%. Já identificado uma calcificação de aproximadamente 3,5 cm, mesmo falando para não ficarmos preocupado isso esta tirando o meu sono. Qual seria a sua conduta?

    Att,

    Albertino Alecrim

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