Lições da gripe espanhola de 1918: Vitamina D e ar fresco

Lições da gripe espanhola de 1918: Vitamina D e ar fresco

Durante a pandemia da gripe espanhola de 1918, alguns enfermeiros e médicos adoeceram, enquanto outros não.

Qual o fator que podemos aprender com isso?

Sabemos hoje, que médicos e enfermeiros que trabalham na linha de frente do Covid-19 correm maior risco de contrair a doença, inclusive ficamos sabendo de casos de mortes entre eles.

Há um século, durante a pandemia de 1918 da chamada “Gripe Espanhola”, a equipe médica era igualmente vulnerável à gripe, tanto que um dos maiores problemas na época era a falta de enfermeiros, pois, a medida que adoeciam, o atendimento aos pacientes se deterioravam e os hospitais começaram a afastar os pacientes doentes.

Gripe Espanhola – Relatos históricos

Buscando ler relatos da história, um artigo me chamou atenção:

Sobre um hospital de emergência criado nos Estados Unidos para lidar com o aumento de pacientes com influenza que estavam gravemente doentes. Dr. Richard Hobday conta em uma publicação sobre essa situação.

Era um hospital de regime ao ar livre, que conseguiu lidar melhor com a doença e sua equipe foi pouco afetada.

A equipe médica do hospital ao ar livre de Camp Brooks, em Boston, era composta por 45 enfermeiros auxiliares, 15 médicos, 20 homens do corpo sanitário e 74 enfermeiros gerais.

Nos relatos históricos, apenas seis enfermeiras e dois enfermeiros desenvolveram a gripe.

E em cinco desses casos, a exposição ao vírus influenza foi relatada ter ocorrido fora do hospital.

Gripe Espanhola - Enfermeira pegando água

Se esses números estiverem corretos, as pessoas estavam muito mais seguras trabalhando lá do que em outros lugares da época.

Gripe Espanhola – Número de caso atendidos

O Camp Brooks atendeu 351 pacientes gravemente doentes pela Gripe Espanhola.

Desses, 36 morreram, vejam que todos estavam em situação grave.

Segundo William Brooks, que era o Cirurgião Geral da Guarda Estadual de Massachusetts, as condições em outros hospitais não eram tão boas.

Tinha hospitais que tratavam a influenza e, em três dias, quase metade dos pacientes estavam mortos e a equipe médica e de enfermeiros também sofria muito mais, ficavam muito mais doentes e ocorriam mais mortes.

Gripe Espanhola – Fatores que contribuíram para a diferença

Doutor Brooks afirmou que a razão pela qual os pacientes não se saíram bem em hospitais comuns foi porque precisavam “do máximo de ar fresco para se recuperar”.

Na sua opinião, “os hospitais comuns não poderiam fornecer isso a eles – não importa quão bem ventilados fossem”.

E a segunda razão era que os pacientes com influenza precisavam ficar sob a luz solar direta a maior parte do dia, o que eles não podiam em um hospital comum fechado.

A mesma coisa com a equipe médica e enfermeiros que, ao ar livre, a imunidade deles era muito melhor, deixando-os fortes e saudáveis para realizar a grande quantidade de trabalho confrontada.

Uma coisa que o Doutor William Brooks e sua equipe insistiram foi que os pacientes com gripe recebiam ar fresco o tempo todo – principalmente durante o dia.

Na época, autoridades de saúde e médicos acreditavam que a gripe e muitas outras infecções eram transmitidas pelo ar.

Eles pensavam que o ar fresco e a luz do sol faziam com que a doença não se espalhasse. Além disso, de acordo com especialistas em saúde da época, respirar ar puro reduziu o risco de reinfecção e infecção cruzada e ajudou os pacientes a melhorar.

No final da década de 1960, os cientistas descobriram que o ar fresco ao ar livre pode realmente matar eliminar algumas bactérias e vírus – e isso ocorre durante o dia e a noite.

Em 1918, essas propriedades desinfetantes poderiam ter sido o que o cirurgião Brooks estava fazendo alusão quando escreveu sobre ar fresco.

Afinal, ele insistia no máximo de ventilação durante a noite e durante o dia.

Gripe Espanhola – Conclusão

Nesse caso, a chave para o aparente sucesso dos hospitais ao ar livre pode ser que eles ofereciam um ambiente livre de bactérias patogênicas comuns em hospitais, 24 horas por dia. Isso teria minimizado a carga viral à qual enfermeiros e pacientes foram expostos.

Talvez esse seja um dos motivos que menos enfermeiros pegaram a gripe.

E, novamente, durante o dia, eles e seus pacientes estavam expostos ao sol.

Hoje sabemos que a exposição ao sol é conhecida por ser o mais importante inativador natural de vírus. Além disso, a produção de vitamina D devido à exposição solar pode modular a imunidade.

Gripe e a Vitamina D

Os baixos níveis de vitamina D podem ocasionar uma série de problemas de saúde – incluindo infecções respiratórias.

O mesmo vale para outros grupos vulneráveis, como os idosos e os que ficam em casa.

Na atual pandemia de coronavírus, a vitamina D, ou melhor, uma deficiência dela, pode ser realmente muito preocupante.

A vitamina D pode ter feito a diferença na pandemia de 1918, mesmo sem os médicos e pesquisadores na época saberem disso.

Hoje temos milhares de estudos sobre a Vitamina D e suas funções, não há porque negar isso.

O pensamento médico mudou muito desde a pandemia de 1918, mas a luz solar, a vitamina D e o ar fresco, combinados, ainda podem proteger contra infecções.

Portanto, analisando o passado, analisando também a ciência atual, será que esse confinamento está realmente sendo bom para a prevenção e saúde?

Deixar as pessoas isoladas, muitas em apartamentos, sem ar fresco, sem luz solar adequada, sem suplementarem vitamina D e muitas com alimentação e estilo de vida ruim…

Lembre-se, até presos tem direito a um banho de sol diário! Será que o que está sendo é o correto?

E qual atenção especial estamos dando para os médicos, socorristas, enfermeiros e todos aqueles que estão trabalhando na linha de frente contra o Covid-19?

Referências e fontes:

36ba000bbef6eff0bba1f0259a77102f?s=96&r=g
Dr. Alain Dutrahttps://artigos.alainuro.com
Dr. Alain Dutra é médico urologista e aplica a Medicina Funcional, Integrativa e de Estilo de vida e princípios ortomoleculares.

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