O que é doença celíaca?  

 
A doença celíaca é uma condição autoimune no qual o glúten (uma proteína no trigo, cevada e centeio) desencadeia uma resposta imune que causa danos no intestino delgado, especificamente, nas pequenas vilosidades que revestem o intestino e promovem a absorção de nutrientes. Quando alguém com doença celíaca consome glúten, a atrofia das vilosidades pode começar dentro de três horas!
 
Os sintomas podem incluir problemas gastrointestinais como diarreia e constipação, fadiga, artrite, dor óssea, erupções cutâneas, enxaquecas entre muitos outros.
 
No entanto, também existem casos de “doença celíaca silenciosa” ou “doença celíaca assintomática”, nos quais os danos nas vilosidades intestinais ocorrem sem sintomas físicos aparentes.
 
A doença celíaca era propagada como uma doença que se iniciava na infância, porém hoje, sabemos que há muitos casos crescentes de diagnósticos na fase adulta, por isso não se deve levar em consideração a idade para um diagnóstico.  
 

Doença celíaca não tratada leva a muitos problemas graves.

 
Com o tempo, a doença celíaca não tratada pode resultar em complicações como anemia por deficiência de ferro, intolerância à lactose (devido à perda da produção de lactase no intestino delgado) e dificuldades digestivas, osteoporose ou problemas dentários (devido a uma absorção reduzida de cálcio e outros nutrientes para a construção óssea), distúrbios que envolvem o sistema nervoso central ou periférico (incluindo ansiedade, depressão e neuropatia), certos tipos de câncer (incluindo linfomas intestinais, câncer de intestino delgado, câncer de esôfago e câncer de pulmão e faringe) e problemas com órgãos como vesícula biliar, pâncreas e fígado.
 
A única maneira de se proteger contra essas complicações é seguir uma dieta rigorosa sem glúten por toda a vida.
 

O que os genes têm a ver com a doença celíaca?

 
A doença celíaca (DC) ocorre em pessoas que possuem certas variantes genéticas no complexo antígeno leucocitário humano (HLA).  A variante DQ2 do gene HLA-DQ é o gene mais comum envolvido, com o HLA-DQ8 sendo o segundo colocado!
 
Existem outras variantes que devem também ser investigadas como DQ1, DQ4 ao  DQ7. Existem casos de portadores de DC sem a presença de DQ2 E DQ8, por isso a importância da investigação genética completa e todos os exames na suspeita dessa doença. 
 
Algumas evidências sugerem que pessoas portadoras de duas cópias são suscetíveis a casos mais graves da doença – incluindo doença celíaca refratária, que ocorre quando o intestino delgado falha na cicatrização mesmo após a adoção de uma dieta sem glúten. 
 
Nem todos que testam positivo para HLA-DQ2 ou DQ8 desenvolvem doença celíaca. Para que ela se desenvolva completamente, outros fatores ambientais precisam estar presentes (em particular, a disfunção da barreira mucosa intestinal, intestino permeável).
 
Quando o intestino permeável ocorre com a exposição ao glúten e a predisposição genética, a condição perfeita de gatilho é criada para a doença celíaca.
 

Todos com “genes celíacos” tem o intestino permeável?

 
Quem sofre de DC produz quantidades exageradas de uma proteína chamada zonulina em resposta ao consumo de glúten. Moléculas não digeridas de gliadina, ao entrarem em contato com as camadas mais internas da mucosa intestinal, estimulam a produção de zonulina. Esta, por sua vez, afrouxa as junções do intestino, tornando-o permeável e causando uma inflamação crônica.
 
Assista ao meu vídeo no canal do Youtube sobre Intestino Permeável.
 
A alta produção de zonulina em resposta ao consumo de glúten também é observada em pessoas sem doença celíaca, mas com síndrome do intestino irritável e sensibilidade ao glúten, estas, que possuem HLA-DQ2 positivo. Essa conexão levou muitos especialistas a sugerir que todos com uma dessas duas variantes do HLA devem adotar uma dieta sem glúten.
 
Lembrando que temos também outras formas de problemas relacionados, como a alergia ao trigo, a crescente sensibilidade ao glúten não celíaca e também outras doenças autoimunes e neurológicas. 
 
Por isso todas as pessoas com histórico familiar de doença celíaca e de qualquer outro tipo de doença autoimune devem investigar seus genótipos HLA (além das variantes discutidas neste post, outras estão associadas a outras doenças auto-imunes) e também fazer os exames completos para doença celíaca que incluem exames de sangue e a endoscopia com biopsia.
 

ESTUDOS CITADOS E FONTES DE PESQUISAS:

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/15825131
https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/25245857
https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2847618/
https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/8362409
https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3818716/
https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/16234020

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