Vermes e parasitas – A surpreendente verdade, amigos ou inimigos?

Vermes e parasitas – A surpreendente verdade, amigos ou inimigos?

Nós vamos discutir aqui até que ponto vermes e parasitas, sejam microscópicos ou sejam vermes mesmos, podem fazer bem ou mal a saúde.

Mas como assim, doutor, não é óbvio que vermes e parasitas fazem mal para saúde?

As doenças do sistema imunológico aumentaram muito nos últimos anos.

Casos de asma, eczema, alergias alimentares, lúpus, esclerose múltipla e outras doenças autoimunes e também alérgicas estão aumentando.

Será que esse aumento de doenças relacionadas ao sistema imune está realmente ao excesso de higiene e de limpeza?

A “hipótese da higiene”

Isso é conhecido como “hipótese da higiene” e é defendido desde pelo menos 2009, pelo Dr. Jim McKerrow, diretor do Centro Sandler para Pesquisa de Doenças Parasitárias.

Segundo ele, nos expor a mais sujeira e até mesmo a parasitas poderia ser a solução para prevenir doenças alérgicas e autoimunes.

De acordo com suas explicações, em áreas rurais onde as crianças são naturalmente infectadas com parasitas.

Doenças como a asma são praticamente desconhecidas.

Enquanto isso, os casos estão aumentando muito em áreas mais urbanas, ou seja, menos sujas.

Os pesquisadores começaram a perceber que a parte da sua resposta imunológica que evoluiu para matar os parasitas é a mesma que causa asma, alergia sazonal, doença de Crohn e outras doenças do tipo autoimune, dando credibilidade crescente à essa hipótese da higiene.

Essa hipótese defende que crianças criadas em um ambiente extremamente higiênico, desprovido de sujeira e germes, não são capazes de desenvolver uma resistência natural às doenças, tornando-as mais vulneráveis mais tarde na vida.

Vermes e parasitas: A realidade segundo a ciência

Embora a hipótese da higiene simplesmente afirme que a exposição a múltiplos organismos fortalecerá seu sistema imunológico, a ciência está descobrindo que a realidade é um pouco mais complexa.

No entanto, tentar manter seu ambiente excessivamente estéril pode de fato sair pela culatra e aumentar o risco de desenvolver doenças agudas e crônicas.

Por isso que muitos defendem que é melhor deixar seu filho se sujar, e permitir que as crianças brinquem ao ar livre na sujeira.

Teoria da “meleca”

E tem até uma teoria de que deixar seu filho comer meleca, pode de fato melhorar o sistema de defesa dele.

Quem inventou essa teoria aparentemente maluca é um bioquímico da Universidade de Saskatchewan.

Segundo ele, o muco nasal, ou meleca, como é mais comumente conhecido, tem um sabor adocicado que induz as crianças a querer comer.

E ao fazer isso, ele acredita, as crianças podem ajudar a introduzir patógenos de seu ambiente em seu sistema imunológico, resultando na construção de defesas naturais.

Bem isso não foi confirmado, só estou aqui dividindo com vocês.

Outra visão sobre os vermes e parasitas

Mas enquanto isso, existe um outro grupo de médicos que defende algo totalmente contrário.

De que os parasitas são causas ocultas de doenças ainda oficialmente de origem desconhecida como o autismo e várias outras doenças neuropsiquiátricas.

Então quem teria a razão, e será que essas duas visões são conciliáveis? Eu acredito que sim.

A ação do sistema imunológico

Voltando a hipótese da higiene, seu sistema imunológico é composto de dois grupos principais de glóbulos brancos que trabalham juntos para protegê-lo.

Um braço de seu sistema imunológico tem os chamados linfócitos Th1, que direcionam um ataque às células infectadas por todo o corpo.

Para contrabalançar isso, outro braço do seu sistema imunológico ataca os invasores ainda mais cedo.

Ele produz anticorpos que tentam bloquear os micróbios perigosos de invadir as células do seu corpo em primeiro lugar.

Esta última estratégia usa uma variedade diferente de glóbulos brancos, chamados linfócitos Th2.

Porém, o sistema Th2 também é responsável por reações alérgicas a organismos estranhos.

No nascimento, o sistema imunológico de uma criança parece depender principalmente do sistema Th2.

Fortalecimento do sistema Th2

Mas a “hipótese da higiene” sugere que o sistema Th1 apenas pode se fortalecer se fizer “exercícios”, se for treinado, seja por meio do combate a infecções ou por meio de encontros com certos micróbios inofensivos.

Sem esse estímulo, o sistema Th2 fica exagerado e o sistema imunológico tende a reagir com as respostas alérgicas com mais facilidade.

Em outras palavras, a “hipótese da higiene” postula que crianças e adultos não expostos a vírus e outros fatores ambientais, como sujeira, vermes e parasitas, fazem com que não consigam desenvolver resistência, o que os torna mais vulneráveis a doenças.

Estudos pilotos em vários países

Já fizeram estudos pilotos na Argentina, nos EUA, e em vários países do Mundo, demonstrando que helminto, um certo tipo de parasita, pode ser útil no tratamento de esclerose múltipla, uma grave doença autoimune.

Mas isso ainda está no terreno da hipótese e de estudos científicos, e ainda não recomendado na prática clínica.

Infecções parasitárias no mundo

Embora certas infecções parasitárias pareçam ser promissoras no tratamento de doenças, isso não é uma carta branca para sair por aí e ser infectado com o maior número de parasitas possível.

As infecções parasitárias são responsáveis por milhões de mortes em todo o mundo todos os anos.

A malária é uma das mais conhecidas, matando cerca de 1 milhão de pessoas por ano, muitas delas crianças na África Subsaariana.

Além disso, as doenças tropicais negligenciadas, como filariose linfática, oncocercose e verme da Guiné, matam cerca de 500.000 pessoas a cada ano, principalmente nas áreas rurais de países de baixa renda.

Mesmo em países desenvolvidos, os vermes e parasitas podem contribuir para doenças como a síndrome do intestino irritável e outros problemas digestivos, e possivelmente até câncer.

Atenção as informações sobre os fatos e estudos

Então nesse momento, eu gostaria de detalhar agora algumas informações importantes para esclarecer melhor essa questão, e para você entender se de fato vermes e parasitas intestinais podem te ajudar em alguma circunstância ou não.

Tem estudos mostrando que alguns organismos invasores podem te proteger de algumas doenças e outros estudos mostrando justamente o contrário.

Exemplo: Alguns estudos mostram que a terapia antibiótica pode induzir a regressão da doença celíaca ativa e da doença de Crohn, mas outros estudos mostram que os antibióticos podem contribuir para a SII, a doença de Crohn ou a colite ulcerativa.

Portanto, realmente estamos vendo muitas informações discordantes aqui.

Algumas evidências mostram que agentes infecciosos, sujeira e bactérias são boas para você.

Outras evidências mostram claramente que eles são ruins para você.

Como fazemos então? Bem, eu vou apresentar aqui, a minha interpretação, a minha especulação sobre isso.

Visão do Dr. Alain Dutra

Na minha visão existem dois fatores importantes, momento e contexto.

Fator 1: Momento

O que quero dizer com momento? Parece que existe um momento, um timing ou hora certa, em que a maioria das bactérias, vírus, vermes e parasitas, etc, parecem ter um benefício protetor quando colonizam ou infectam um hospedeiro no início da vida, geralmente antes dos três anos de idade.

Essa parece ser a barreira de tempo em que a janela de desenvolvimento imunológico fecha.

Curiosamente, é também quando a flora, o microbioma intestinal ou colonização intestinal parecem se estabilizar.

Então, parece que a colonização intestinal e a janela de desenvolvimento do seu sistema imunológico, por assim dizer, estão perto dos três anos de idade.

Quando uma infecção é adquirida antes dos três anos de idade, ela tende a ser principalmente protetora.

Quando adquirida após os três anos de idade, tende a ser prejudicial.

E é claro pessoal, que existem exceções, mas essa tende a ser a regra geral.

Fator 2: Contexto

O outro fator importante é o contexto. O que significa – Qual é o seu padrão imunogenético?

Algumas pessoas têm genética que predispõe, que é favorável a ter uma resposta imune muito, muito forte.

E quando eles não têm colonização adequada, eles são mais propensos a formar autoimunidade.

Usando uma comparação para entendimento

Imagina que você tem uma equipe de segurança que foi treinada para todo dia pegar bandido…

E essa equipe passa meses sem ter o que fazer, porque eles estão atuando em uma região bem tranquila, onde quase não passa ninguém.

Eles começam a ficar entediados e começam a dar alarme falso o tempo todo.

Sentam a “bordoada” no técnico da TV a cabo, no entregador de pizza, no cara que vai fazer leitura no relógio de energia elétrica.

Em suma, eles começam a gerar problemas, em vez de atacar inimigos passam a agredir pessoas inofensivas.

Esse exagero da “equipe de segurança” do sistema imune de defesa é o que gera as alergias e as doenças autoimunes no organismo.

A diversidade da colonização

Também temos que levar em consideração a diversidade da colonização, o que significa que algo que poderia ser potencialmente gerador de doença talvez tenha menos chance de se tornar patogênico ou prejudicial quando você tem uma colonização muito robusta.

Essencialmente, o que isso significa é que, se você tiver muitas, muitas formas diferentes de bactérias e vírus, e potencialmente vermes e parasitas que te colonizaram no momento certo.

Nesse caso eles estão vivendo dentro de você, o que te torna potencialmente mais tolerável a uma bactéria, vírus ou vermes e parasitas adicionais.

Se você tem uma colonização muito pobre, ou seja, uma flora ou microbioma não diverso, ou seja, muitos poucos “bichos”, então você pode reagir mais negativamente a uma colonização.

Em resumo, o que determina se você vai ter mais chance de alergias ou doenças autoimunes é aparentemente uma combinação de dois fatores:

  1. Colonização pobre e/ou tardia, depois dos três anos de vida.
  2. Genética ruim, ou um pano de fundo genético desfavorável, esses dois fatores juntos podem te levar a doença.

Assista meu vídeo sobre microbioma intestinal

Então qual é a conclusão prática que podemos chegar?

Ter conscientemente vermes e parasitas e outros bichos no seu corpo depois dos três anos de idade não é uma boa ideia na maior parte das vezes.

Então se for diagnosticados com alguma doença, trate!

Mas deixe seus filhos com menos de três anos de idade brincar com animais de estimação e brincar no chão, na terra ou na areia.

Deixe o sistema imune da criança ser treinado adequadamente nos primeiros anos de vida.

No entanto, muita atenção, qualquer sintoma intestinal deve ter o agente infeccioso investigado e tratado.

Mas, se você puder evitar, use aqui o bom senso pessoal, assim como orientação médica adequada.

Se você puder evitar antibióticos antes dos 3 anos de idade você estará ajudando a prevenir alergias e doenças autoimunes.

E qual seria a alternativa?

Tente usar agentes naturais, como por exemplo cranberry para infecção urinária, recentemente eu tratei minha filha pequena com isso e com sucesso.

Tente usar quando possível tintura de cravo, artemísia e orégano para parasitas.

Mas se tiver dúvida, se ficar inseguro, não titubeie, não hesite em usar antibióticos e antiparasitários de farmácia, sempre com orientação médica.

E também você vai aprender sobre tratamentos com remédios naturais.

 Se você tiver alguma observação ou sugestão, deixe aqui nos comentários.

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Dr. Alain Dutrahttps://artigos.alainuro.com
Dr. Alain Dutra é médico urologista e aplica a Medicina Funcional, Integrativa e de Estilo de vida e princípios ortomoleculares.

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