Toxicidade pelo Mofo – Uma doença ambiental negligenciada

Toxicidade pelo Mofo – Uma Doença ambiental negligenciada

Mofo / bolor são colônias de fungo e estão presentes em quase todos os lugares, incluindo o próprio ar. Há uma infinidade de espécies.

Eles são capazes de crescer em quase qualquer superfície – desde que a superfície atinja todas as condições necessárias, ambientes úmidos, escuros e quentes.

Os mofos também crescem como colônias filamentosas, ao contrário de outros grupos de fungos que crescem exclusivamente como leveduras.

Os bolores se reproduzem formando pequenos esporos que não são visíveis a olho nu. Os esporos de fungos são muito resistentes e podem sobreviver em condições nas quais o fungo não pode crescer, como em ambientes secos.

Esses esporos viajam pelo ar interno e externo. Quando os esporos do mofo pousam em uma superfície onde a umidade está presente, o mofo pode começar a crescer.

Em média, estudos revelam que cada respiração contém entre 1-10 esporos – o que significa que uma pessoa pode inalar entre 20.000-200.000 esporos todos os dias, imagine em um ambiente pequeno, com uma colônia de fungos maior e escondida?

Mas, se estão presentes em todo lugar, porque acontece a toxicidade?

Mas, se estão presentes em todo lugar, porque acontece a toxicidade?

Esse tema é um desafio ainda para diagnosticar e tratar um paciente. Pois tudo está interligado.

Sintomas relacionados ao cérebro, intestino, pele, pulmões e reações imunológicas, disfunção mitocondrial, endócrinas etc…

Embora alguns fatores contribuintes possam ocorrer em paralelo, uma condição muitas vezes leva a outras condições posteriores que contribuem para vários sintomas.

Mas se acharmos a principal raiz do problema e soubermos trata-la, consequentemente, podemos lidar mais fácil com os outros fatores e sintomas.

A toxicidade por Mofo é um exemplo perfeito

  • Pode contribuir para a fadiga no corpo;
  • Ela pode levar ao aumento do cobre ao sobrepujar um dos antioxidantes do corpo que regula o cobre;
  • Pode interferir no sistema imunológico;
  • Pode causar suscetibilidade a cândida / levedura, SIBO e outras infecções.
  • Frequentemente, também piora a ativação dos mastócitos, levando ao surgimento de sintomas de alergia (histamina);
  • Intimamente ligadas em processos como a asma e inflamação.

Toxicidade por mofo em ambientes

Toxicidade por mofo em ambientes

A toxicidade por mofo é amplamente reconhecida como uma causa de sintomas ou doenças em animais e pessoas por exposição a alimentos mofados e cada vez mais médicos consideram doenças crônicas causadas pelo crescimento de mofo em casas e edifícios danificados pela umidade e água.

Estima-se que 50% dos edifícios e casas (especialmente casas antigas ou de madeira) apresentam danos causados pela água.

Vazamentos ocultos, madeiras que absorveram água, mofos em paredes e móveis.

Embora o crescimento de mofo em uma parede possa ser claramente visível, o mofo pode se esconder atrás da parede, de armários de madeira, debaixo de uma pia, de gesso, em tecidos, alimentos, carpetes, sótãos, plásticos e qualquer outro lugar suscetível.

Pode estar dentro de um componente de um sistema de ar condicionado ou até mesmo em um duto.

Onde houver danos causados pela água e umidade, existe um meio ideal para que o fungo tóxico cresça rapidamente e produza esporos que transportam toxinas.

Tipos e espécies de bolor

Tipos e espécies de bolor

Existem vários tipos de bolor que podem crescer e transportar toxinas – O mais comum é o bolor negro ou Stachybotrys que é um grande problema.

Aspergillus, Penicillium, Fusarium e Chaetonium também produzem toxinas que podem ser adquiridas por inalação, ingestão ou pela pele.

O Mofo externo normalmente não tem o mesmo problema pois, não está concentrado em um espaço fechado e ele possui mecanismos de defesa externa que limitam o crescimento das colônias.

Embora possa causar problemas de alergia aos fungos, não necessariamente contribui para a toxicidade de fungos da mesma forma que as colônias de mofo interno de edifícios e casas.

Doença por Mofo e associações

1- Síndrome de ativação de mastócitos

Os mastócitos fazem parte do seu sistema imunológico. Eles são encontrados na sua medula óssea e ao redor dos vasos sanguíneos do seu corpo.

Quando você está exposto ao estresse ou perigo, eles respondem liberando substâncias chamadas mediadoras. Os mediadores causam “inflamação benéfica”, o que ajuda o corpo a se curar de uma lesão ou infecção.

Essa mesma resposta ocorre durante uma reação alérgica. Seus mastócitos liberam mediadores para remover aquilo que você é alérgico.

Por exemplo, se você é alérgico ao pólen, seus mastócitos liberam um mediador chamado histamina, que o faz espirrar para se livrar do pólen.

Mas se você tem toxicidades excessivas, em especial pelo mofo, seus mastócitos podem liberar mediadores com muita frequência em respostas a pequenos estímulos externos.

Assista meu vídeo sobre síndrome de ativação dos mastócitos

Muitos mediadores podem causar sintomas em quase todos os sistemas do corpo.

No entanto, as áreas mais comumente afetadas incluem pele e mucosa, sistema nervoso, coração e trato gastrointestinal.

Dependendo de quantos mediadores são liberados, seus sintomas podem variar de leves a graves.

É importante mencionar que a toxicidade pelo mofo é um fator muito comum na ativação dos mastócitos.

O que leva a entender que alguns sintomas podem estar co-relacionados, isso tem sido relatado por muitos médicos que tratam a toxicidade por mofo.

Quando você trata o mofo, muitos dos sintomas de exacerbação alérgica pela ativação dos mastócitos se acalmam.

A histamina é uma substância natural do nosso organismo, regulada pelos mastócitos.

Essa substância está envolvida:

  • Na resposta imunitária;
  • Regulação da função fisiológica no intestino;
  • Regulação do ácido gástrico;
  • Na contração muscular;
  • Também atua como um neurotransmissor.

Ela também atua para destruir substâncias estranhas ao organismo.

Mas, algumas pessoas podem ter ela exacerbada pela ativação crônica dos mastócitos.

E consequentemente, a pessoa cria uma intolerância à histamina, que é uma perda da capacidade do seu corpo de decompor adequadamente a histamina que vem da sua dieta.

Portanto as pessoas com esse tipo de disfunção precisam estar em uma dieta de alimentos baixos em histamina.

2 – Fadiga crônica

Porque algumas pessoas com fadiga, não melhoram com o tratamento?

As mitocôndrias são os órgãos sensores do corpo para infecções e toxinas. Seu trabalho – além de produzir energia – monitorar o ambiente da célula para segurança.

Se algo está invadindo a célula, ou se algo está tornando a célula tóxica, as mitocôndrias sentem isso imediatamente e se desligam para proteger a célula (mecanismo de proteção).

É por isso que é tão importante abordar os vírus, bactérias e toxinas primeiro.

Se você tentar tratar as mitocôndrias com suplementos antes de fazer isso, não funcionará.

Portanto se você tem uma toxicidade por mofo ou mesmo em conjunto uma infecção por cândida, até que as mitocôndrias sintam que o ambiente celular está seguro, elas não vão usar ou se beneficiar totalmente desses suplementos, porque elas ainda estão “economizando energia” para proteger as células.

Então existe um passo de cada vez, não é somente o que tratar! Mas é muito importante quando tratar!

Sintomas de exposição aos esporos dos fungos

Sintomas de exposição aos esporos dos fungos

Alta sensibilidade a uma ampla gama de coisas, como aromas, cheiros, medicamentos, suplementos, gatilhos emocionais, mudanças climáticas, etc.

Isso provavelmente se deve à ativação dos mastócitos mencionada acima, mas também porque as toxinas dos fungos, não muito diferentes de um evento traumático, podem preparar o cérebro para perigo!

Com isso, quero dizer que, o cérebro sabe que algo está errado e está enviando sinais de perigo constante, mas não sabe qual é o perigo, isso causa também uma grande gama de sintomas cerebrais:

  1. Fadiga
  2. Confusão mental
  3. Em crianças, isso pode ser parecido com TDAH
  4. Declínio cognitivo
  5. Ansiedade e depressão
  6. Mudanças de humor
  7. Dores de cabeça

Sintomas mais específicos

Sintomas mais específicos para a toxicidade por mofo, embora nem todos precisem estar presentes:

  1. Sensações de choque elétrico;
  2. Dores (tipo alfinetada);
  3. Sensações de vibração no corpo ou subindo e descendo pela coluna;
  4. Dormência e formigamento;
  5. Equilíbrio e tontura sem outras condições neurológicas identificáveis;
  6. Convulsões psicogênicas ou pseudo-convulsões;
  7. Tiques e espasmos;
  8. Sensibilidade à luz;
  9. Sensibilidade ao toque leve;
  10. Congestão nasal crônica;
  11. Sintomas gastrointestinais;
  12. Tosse, dor no peito, falta de ar;
  13. Fraqueza muscular e dor;
  14. Dor nas articulações e rigidez matinal;
  15. Sede excessiva;
  16. Micção frequente;
  17. Ganho de peso rápido;
  18. Suor noturno;
  19. Desregulação da temperatura corporal;
  20. Impotência.

Outras sintomas relacionados

O diagnóstico de fibromialgia ou fadiga crônica são muito comuns hoje em dia. Em 2013, o Dr. Joseph Brewer, um especialista em doenças infecciosas e também um pioneiro, descobriu que 93% de 112 pessoas com Síndrome de Fadiga Crônica tinham níveis elevados de toxinas de fungos.

Também causam alergias alimentares diretas e autoimunidade.

Praticamente todas as doenças autoimunes podem ter como gatilhos diretos ou indiretos a toxicidade por mofo/fungo.

Doença de Parkinson Atípica e Alzheimer podem ter gatilhos por trás, sendo de toxinas de fungos.

No recente trabalho pioneiro do Dr. Dale Bredesen no tratamento da doença de Alzheimer, ele descobriu que a toxicidade por mofo/fungo é uma das partes mais comuns da doença e deve ser tratada para melhorar todo o quadro da doença.

Toxinas do Mofo, porque são perigosas e como agem?

Toxinas do Mofo, porque são perigosas e como agem?

Uma vez adquiridas, as toxinas entram nas células e iniciam um processo inflamatório e dificultam a desintoxicação do corpo.

Elas podem se ligar a membranas celulares e depois de certa estimulação, podem recircular no organismo causando sintomas exacerbados.

Há evidências de que o mofo pode colonizar os seios da face e, possivelmente, o trato gastrointestinal.

Isso explicaria porque, para muitas pessoas, simplesmente sair de um ambiente mofado não é suficiente para aliviar todos os sintomas.

Eles não apenas continuam a ter toxicidade, mas também podem estar abrigando em seu organismo fungos produtores de toxinas.

Aqui vem o pensamento de quem tem vários sintomas não esclarecidos

Mas só eu estou com sintomas na minha casa! Mesmo com mofo, só eu da minha família tenho isso, por quê?

Em uma casa com mofo, nem todos os membros da família serão necessariamente afetados. Aparentemente, 25% das pessoas apresentam uma vulnerabilidade genética e não são capazes de produzir anticorpos para eliminar essas toxinas.

75% das pessoas tem a capacidade de lidar com essas toxinas, mas para os 25% que não desenvolvem uma resposta imunológica típica as toxinas de fungos, antioxidantes e estratégias para aumentar a desintoxicação, eles não conseguem remover essas toxinas.

As toxinas do mofo basicamente vão do corpo para o fígado e a vesícula biliar, onde se ligam à bile e são enviadas para o trato gastrointestinal.

A bile, entretanto, é reciclada (como meio de conservação) e, assim, leva as toxinas de volta ao corpo.

Portando essas pessoas geneticamente vulneráveis vão acumular colônias tóxicas e, muitas vezes em conjunto com outras infecções.

Quais são os testes disponíveis e os tratamentos?

Apesar do crescente conhecimento sobre a toxicidade do fungo, os testes disponíveis e o tratamento, ainda sabemos muito pouco.

Esta área da medicina está muito no começo e coletivamente estamos aprendendo mais a cada dia.

Mesmo entre os pioneiros, há debate sobre a testagem, avaliação, tratamento e como e, se o mofo se coloniza no corpo.

Alguns poucos estudos podem nos trazer mais informações

Micotoxinas

Foi demonstrado que uma micotoxina chamada tricoteceno, liberada por espécies de fungos como Stachybotrys chartarum, perturba o sistema imunológico, o sistema nervoso e a produção de hormônios e energia.

Um ensaio clínico descobriu que a inalação de Beta-D-glucanos, uma micotoxina, produziu um aumento significativo nos marcadores inflamatórios em pessoas suscetíveis.

Foi demonstrado que micotoxinas em alimentos causam efeitos no sistema digestivo, como redução das vilosidades intestinais, alterações no microbioma intestinal e desequilíbrios hormonais, e estão associadas a alguns cânceres do sistema digestivo.

Um estudo clínico descobriu que pessoas expostas a fungos tiveram diminuições na função neurológica nas avaliações em comparação com o grupo de controles.

Isso incluiu mudanças no tempo de reação, força, memória e visão prejudicada.

E uma série de casos de hemorragia pulmonar pediátrica foram associados à exposição a micotoxinas de casas úmidas danificadas pela água.

Embora existam alguns marcadores inflamatórios que podem ser testados, o exame de micotoxinas na urina para identificar quais toxinas estão presentes só está disponíveis em poucos laboratórios nos EUA e Canadá.

Saber quais toxinas estão presentes pode afetar quais quelantes são usados para remover as toxinas.

Mas aqui no Brasil não temos essa opção, eu conto com o histórico da pessoa, seus sintomas e exames não diretos, mas que podem dar indícios de toxicidade por mofo.

Como tratar a Toxicidade por mofo?

As toxinas dos fungos/mofo perturbam o sistema endócrino – que precisa ser tratado.

Precisamos olhar para a tireoide e as adrenais, hormônios sexuais, e temos que fazer com que o intestino fique saudável.

Precisamos melhorar o sistema de detox do corpo, dar suporte ao fígado e ao pâncreas.

Então, quando alguém está tão sensível e com muitos sintomas, precisamos ser “médicos detetives” e descobrir o que não abordamos ainda.

Quelantes são as principais opções de tratamento

  • Argila bentonita;
  • Carvão ativado;
  • Clorela;
  • Colestiramina;
  • Colesevelam.

As doses são determinadas individualmente. Para algumas pessoas muito sensíveis, apenas pequenas quantidades são toleradas, embora ainda sejam eficazes.

A duração do tratamento pode ultrapassar um ano.

Esta não é uma solução rápida. Requer tempo e paciência, mas para muitas pessoas há uma melhora clara e constante.

Tratamento antifúngico pode ser adicionado quando necessário na forma de antifúngicos para o trato gastrointestinal, para tratar a cândida associada.

Esses antifúngicos podem ser medicamentos prescritos como a Nistatina ou naturais, como formulações à base de ervas e a Prata Coloidal.

Pode até parecer simples o tratamento, mas não é!

Por exemplo, iniciar o tratamento antifúngico antes que o paciente esteja com um suporte de detox e com os quelantes adequados pode piorar os sintomas (o mofo e / ou levedura podem morrer e liberar toxinas que não estão sendo removidas com os quelantes e não serão facilmente eliminadas por conta da deficiência no detox do corpo.

Existem outras partes potenciais do tratamento que podem precisar ser resolvidas antes que alguém sensível e com muitos sintomas seja capaz de tolerar os quelantes e antifúngicos.

Isso inclui:

  • Apoiar a desintoxicação;
  • Estabilizar os mastócitos;
  • Abordar a disfunção do sistema límbico para diminuir a resposta ao perigo agudo.

Assim como ocorre com cândida / fermento, o bolor se desenvolve com uma dieta rica em carboidratos e açúcar.

Portanto uma abordagem nutricional low carb ou Cetogênica pode ser fundamental durante o tratamento.

Daqueles que também têm ativação de mastócitos (reações alérgicas exacerbadas), se beneficiarão de uma dieta com baixo teor de histamina.

Assista meu sobre ativação de mastócitos

A duração do tratamento depende de uma série de fatores, incluindo:

  • Idade;
  • Gravidade dos sintomas;
  • Sensibilidade e a presença de outras condições;
  • E até mesmo desequilíbrios de metilação.

A última questão que deixo é:

Você pode melhorar com o tratamento correto, mas você não pode ficar bem totalmente, se permanecer em um ambiente mofado.

Fontes:

 

36ba000bbef6eff0bba1f0259a77102f?s=96&r=g
Dr. Alain Dutrahttps://artigos.alainuro.com
Dr. Alain Dutra é médico urologista e aplica a Medicina Funcional, Integrativa e de Estilo de vida e princípios ortomoleculares.

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