Arsênio – Os perigos da contaminação e o que causa na nossa saúde

Arsênio – Os perigos da contaminação e o que causa na nossa saúde

O que é arsênio?

O arsênio é um elemento que pode ser encontrado em fontes naturais, na água, no ar e nas plantas e animais.

Incluindo erosão de rochas, erupções vulcânicas, contaminação da mineração e fundição de minérios e uso anterior ou atual de pesticidas contendo arsênio.

O arsênio faz parte de compostos químicos. Esses compostos são divididos em 2 grupos:

  • Os orgânicos que tendem a ser menos tóxicos e são encontrados em alguns alimentos, como peixes e crustáceos.
  • E os inorgânicos que são encontrados na indústria, em produtos de construção, em água contaminada e tendem a ser a forma mais tóxica de arsênio, contaminando a nossa alimentação.

O arsênio inorgânico

O arsênio inorgânico é um carcinogéneo poderoso que tem sido associado a um risco aumentado de vários tipos de câncer.

Em 2001, a Agência de Proteção Ambiental (EPA dos EUA) reduziu o nível máximo de arsênio permitido na água potável de 50 ug / L para 10 ug / L (ou 10 partes por bilhão (ppb)) devido ao risco de câncer estabelecido.

Alguns pesquisadores sugerem que os níveis de arsênio estão tão elevados, hoje em dia, e nos contaminando porque os humanos estão interferindo muito no meio ambiente.

O que causa a exposição na nossa saúde?

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o arsênio pode ser responsável por:

Efeitos agudos

Os sintomas de envenenamento agudo por arsênio incluem:

  • Dor abdominal;
  • Diarreia e vômitos.

Os sintomas potenciais a seguir são:

  • Dormência e formigamento nas mãos e nos pés;
  • Cãibras musculares e até morte.

A exposição a longo prazo pode causar:

  • Câncer;
  • Lesões na pele;
  • Também foi associado a doenças cardiovasculares
  • Neurotoxicidade e diabetes.

Geralmente observado primeiro na pele, o envenenamento por arsênio a longo prazo pode causar lesões na pele, alterações de pigmentação e hiperqueratose (manchas duras nas palmas das mãos e na planta dos pés).

A OMS relata que esse envenenamento pode “ocorrer após uma exposição mínima de aproximadamente cinco anos e pode ser um precursor do câncer de pele”.

Associação de exposição crônica de baixas doses por vários anos e tipos de câncer

Além dos riscos citados acima, a exposição crônica de baixas doses por vários anos tem sido associada a certos tipos de câncer:

Como as pessoas são expostas ao arsênio?

A exposição crônica, a longo prazo se dá principalmente ao:

  1. Ingerir pequenas quantidades presentes nos alimentos contaminados;
  2. Ingerir através da água com quantidades elevadas de arsênio;
  3. No ar ao inalar ou respirar serradura ou fumo de combustão de madeira tratada com arsênio;
  4. Ao viver em zonas com níveis naturais elevados de arsênio nas rochas;
  5. Ter uma profissão que envolva produção ou utilização de arsênio, como cobre ou refinação de chumbo, tratamento de madeira ou aplicação de pesticidas.

Uso na agricultura

Na agricultura, o uso indiscriminado de fertilizantes e pesticidas que contém o metal pesado, tem ocasionado elevado acúmulo deste elemento nos solos.

Nos últimos anos, nos países mais desenvolvidos, grande parte dos insumos agrícolas contendo arsênio tem sido banido da agricultura.

É importante gerenciar suas concentrações nos solos e os efeitos nas plantas, porque elas podem absorver e acumular arsênio em partes comestíveis, o que representa um caminho para a exposição crônica.

No Brasil, não vemos muitas notícias sobre o nível de pesticidas ou de venenos nos alimentos, mas, em outros países, isso é comum… Nem sobre testes de níveis em águas…

Uma rápida pesquisa na internet, vemos casos de contaminação por mineração e de rios, que estão expondo cidades a níveis tóxicos de arsênio, como na cidade de Paracatu – MG e também após o desastre em Mariana – MG.

Fonte de pesquisa:

Alimentos e bebidas que podem ter mais arsênio

Suco de maçã, uva e vinho

Grande parte do concentrado de suco de maçã ainda vem da China. Alguns laboratórios relataram altos níveis de arsênico em suco de maçã importado em análises.

O suco de maçã pode ser uma fonte de arsênio pela contaminação da água e dos pesticidas usados no cultivo das maçãs.

Em 2015, pesquisadores da Universidade de Washington divulgaram um estudo mostrando que 98% dos vinhos tintos testados no estudo, continham níveis de arsênio que excediam os padrões estabelecidos para água potável dos EUA.

Os cientistas analisaram 65 vinhos tintos dos quatro maiores estados produtores de vinho: Califórnia, Washington, Nova York e Oregon.

Porém, não temos dados sobre níveis acima do normal em vinhos aqui do Brasil ou da América do Sul.

Proteínas em pó

Outra fonte de arsênico vem de shakes de proteínas pronto em pó.

De acordo com a revista Consumer Reports de julho de 2010, 15 proteínas em pó e bebidas principalmente na área metropolitana de Nova York ou online foram testadas para arsênio, cádmio, chumbo e mercúrio.

Os resultados mostraram uma variação considerável, mas os níveis em três produtos foram particularmente preocupantes porque o consumo de três porções por dia poderia resultar na exposição diária ao arsênio, cádmio ou chumbo excedendo os limites.

Aditivos e medicamentos para frangos

O arsênio em criação de frangos faz as aves crescerem mais rápido e ajuda a controlar uma doença intestinal comum em galinhas.

Porém, a FDA Americana suspendeu o uso da droga depois que um estudo mostrou altos níveis de arsênio em fígados de frangos tratados com a droga do que em frangos não tratados.

Fonte de pesquisa:

O arsênio no Arroz!

O arroz é um alimento básico em todo o mundo, mas como a planta do arroz é capaz de absorver 10 vezes mais arsênio do que outras plantas, geralmente, apresenta alto teor de arsênio inorgânico, a forma mais perigosa do metal pesado.

Um estudo de abril de 2016 realizado por pesquisadores do Dartmouth College, descobriu que os níveis de arsênio inorgânico na urina dos bebês eram muito mais altos naqueles que comeram cereais e papinhas à base de arroz em comparação com bebês que não comiam ou consumiam menos fonte de arroz.

Uma observação importante é o cuidado especial necessário com o público infantil.

Isso porque bebês e crianças pequenas podem chegar a consumir até 3 vezes mais arroz e derivados (como papinhas e fórmulas prontas) em relação ao seu peso corporal, do que adultos.

Por isso a ANVISA estabeleceu um limite reduzido de arsênio para produtos infantis (0,1mg/kg).

Risco de contaminação pelo arsênio do arroz

Bem, pessoas que podem estar em maior risco de contaminação pelo arsênio do arroz, são crianças com alimentação exclusivamente a base de arroz e aquelas que precisam estar em uma dieta sem glúten.

Como o arroz é uma das alternativas sem glúten mais populares no mercado hoje, essa descoberta deve parecer preocupante.

Então a dica aqui é: moderação e variedades.

Preste atenção em evitar leite de arroz e alimentos processados sem glúten, tenha uma dieta variada, inclua outros grãos nutritivos no seu dia a dia, como a quinoa.

Optar por uma dieta Low Carb, pode ajudar também a diminuir a exposição ao arsênio presente no arroz.

Vários estudos e polêmicas sobre a contaminação de arsênio no arroz foram propagadas nos últimos anos, o que se sabe é que depois dos estudos, algumas empresas vem conseguindo diminuir a concentração de arsênio de seus produtos a base de arroz.

Por isso ficar atento as empresas e cobrar mudanças, fazem parte de nossas funções também.

No Brasil, a ANVISA estabelece uma média de até 0,3 mg de arsênio por quilo de arroz, como “segura”, sendo acima da média estabelecida por outros Países.

Alguns estudos brasileiros já publicados também não encontraram amostras acima do limite estabelecido nas amostras de arroz cultivados por aqui.

Porém, sua toxicidade a longo prazo ainda não é pesquisada a fundo.

Como evitar o arsênio dos alimentos?

Além de comer menos arroz, evitar sucos industrializados e alimentos processados que contenham ingredientes de arroz, existem alguns truques que você pode usar para reduzir significativamente os níveis de arsênico no arroz.

Cozinhe o arroz como macarrão!

O FDA afirma que cozinhar o arroz com excesso de água (6 a 10 partes de água para 1 parte de arroz) e escorrer o excesso da água ao fim do cozimento pode reduzir o teor do contaminante em até 60%.

Apenas lavar o arroz não é suficiente para diminuir os níveis de arsênio. No entanto, também pode reduzir os níveis de alguns nutrientes do arroz.

Substitua o arroz por quinoa, que também é rica em proteínas e nutrientes. O trigo sarraceno e o painço são duas outras opções com baixo teor de arsênio.

Considerações finais

Para finalizar, o toxicologista e especialista em pesquisas sobre o arsênio, Joshua Hamilton, PhD diz:

“As pessoas às vezes dizem: ‘Se a exposição ao arsênio é tão ruim, porque você não vê mais pessoas doentes ou morrendo por causa disso por ai?
Mas, as muitas doenças que provavelmente aumentam com a exposição, mesmo em níveis relativamente baixos, já são tão comuns que seus efeitos são esquecidos simplesmente porque ninguém olhou cuidadosamente para a conexão entre metais tóxicos e as doenças.”

Fontes de pesquisa:

 

Dr. Alain Dutrahttps://artigos.alainuro.com
Dr. Alain Dutra é médico urologista e aplica a Medicina Funcional, Integrativa e de Estilo de vida e princípios ortomoleculares.

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