MTHFR e relação com Hashimoto

MTHFR e relação com Hashimoto

Você já ouviu falar de uma mutação genética chamada MTHFR (Metilenotetrahidrofolato redutase)? Este gene codifica a enzima MTHFR que converte o aminoácido homocisteína em metionina, um bloco de construção para proteínas.

Quando nos referimos a uma mutação genética, talvez esta expressão não seja necessariamente precisa ou adequada.

A própria epigenética tem nos mostrado que nem tudo pode ser determinado pela expressão genética, pois existem fatores ambientais que podem desencadear uma expressão gênica que do contrário permaneceria adormecida.

E a própria palavra “mutação” apresenta tanta conotação negativa em nossa cultura e sociedade, que talvez a expressão mais adequada seria “variante genética MTHFR”.

Cada um de nós recebe duas cópias deste gene, uma proveniente do pai e outra proveniente da mãe.

Quando recebemos uma ou duas cópias deste gene e apresentamos baixa atividade da enzima MTHFR, é possível que a homocisteína tenha níveis mais elevados, condição que favorece o aumento da inflamação geral do corpo e o aparecimento de doenças relacionadas ao coração, complicações na gravidez e até abortos.

Existe ainda o risco de que a pessoa acometida por este problema desenvolva depressão ao longo da vida, coágulos sanguíneos e maior risco de ter câncer.

Associação entre a doença de Hashimoto e MTHFR

Existiria uma possível associação entre a doença de Hashimoto, uma inflamação crônica da glândula tireoide, e a presença da variante genética MTHFR?

Uma das principais consequências da ativação desta variante genética é o baixo processo de metilação ou de desintoxicação que impede a pessoa de se livrar de algumas toxinas, como o mercúrio ou o arsênio, levando inclusive à predominância estrogênica.

Os sintomas são confusão mental, sensibilidades químicas, ansiedade, depressão, irritabilidade, sintomas muito comuns em quem possui a doença de Hashimoto.

Esta variante genética tem sido associada a deficiência de nutrientes como as vitaminas B2, B6, B9 (folato) e B12.

Nem sempre a ingestão de suplementos contendo estas vitaminas pode ajudar, pois o organismo pode não realizar a conversão de algumas vitaminas em sua forma mais ativa, ou metilada.

Como exemplo, citamos a vitamina B9 que geralmente é vendida na forma de ácido fólico mas que pode não ser devidamente convertida em sua forma ativa, ou seja, o metilfolato.

Alguns pesquisadores inclusive defendem a tese de que os multivitamínicos à base de ácido fólico são cancerígenos, mais uma razão para abandonarmos a ingestão de alimentos processados que são fortificados com vitaminas.

Por outro lado, um estudo recente demonstrou que a frequência de genes alelos para a mutação MTHFR não é predominante em pessoas que possuem doença autoimune da tireoide, isso quando se compara com pessoas que não tem Hashimoto.

No entanto, curiosamente, a variação MTHFR aparece com mais frequência nas pessoas que tem hipotireoidismo.

Variáveis possíveis para a mutação MTHFR

Existem duas variáveis possíveis para a mutação MTHFR, ou seja, os loci 677 e 1298. Dependendo das cópias que você possua em seu DNA, você pode ser homozigoto, heterozigoto ou composto.

O teste para verificar esta variação genética pode ser pedido por seu médico de confiança e realizado em vários laboratórios.

Mesmo que a pessoa não tenha esta mutação, ela ainda pode ter níveis elevados de homocisteína, pois a causa pode ser tanto a deficiência nutricional de vitaminas quanto a ingestão de alimentos inflamatórios.

De qualquer forma, caso a pessoa tenha esta mutação, ela pode permanecer adormecida já que a expressão dos genes é mediada por diversos fatores que incluem principalmente o estilo de vida.

Portanto, caso teste positivo, não fique apavorado como se tivesse recebido uma sentença negativa, apenas conheça a si mesmo e procure minimizar potenciais efeitos.

Uma das consequências para quem tem a variante genética MTHFR é a baixa metilação.

Mas quais seriam os sintomas relacionados a uma baixa metilação?

Não somente os níveis aumentados de homocisteína, mas também alergias em geral, transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), falta de libido, ser propenso ao vício, insônia, baixa energia ou fadiga, dor muscular, níveis baixos de neurotransmissores, problemas digestivos, ansiedade, irritabilidade, múltiplos abortos, limiar baixo para a dor e altos níveis de estrogênio.

Claro, não somente a baixa metilação pode ser um problema mas também a alta metilação.

Por isso, é importante procurar um médico e realizar os exames pertinentes. No caso dos níveis de Homocisteína, a “faixa” dita ideal dos laboratórios seria abaixo dos 15 µmol, mas para a medicina otimizada eu considero bons níveis de homocisteína abaixo de 8 µmol / L.

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Como melhorar a metilação do corpo caso ela esteja baixa?

Você pode utilizar a comida como seu remédio, como já dizia Hipócrates, o pai da medicina.

Primeiro, é importante reduzir a ingestão de alimentos inflamatórios, especialmente refinados e ricos em carboidratos.

Depois, aumentar a ingestão de alimentos que sejam ricos nas seguintes vitaminas:

  1. B2 (salmão, ovos, fígado, cogumelos);
  2. B6 (carnes, feijão, abacate, nozes e sementes);
  3. B9 (ou folato, vegetais de folhas verdes, couve, lentilha, beterraba, abacate, mamão, aspargos);
  4. B12 (carnes em geral).
  5. Para o suporte da digestão, seria interessante fazer uso de betaína que está presente na beterraba, quinoa ou espinafre.

Quanto à suplementação para melhorar a metilação, pode-se usar a riboflavina (B2) e versões ativadas (metiladas) das vitaminas B6 (P5P), B9 (metilfolato) e B12 (metilcobalamina).

O uso de betaína em associação com pepsina também ajuda no processo de digestão e absorção das vitaminas, além de melhorar os sintomas de quem tem Hashimoto ou baixa metilação.

Este protocolo irá ajudar a regular os níveis de homocisteína e reduzir a inflamação geral do corpo.

Mas, não custa lembrar que estas recomendações devem estar amparadas por seu médico de confiança, porque no caso de homocisteína alta e/ou mutação MTHFR presente, é fundamental repor os nutrientes adequados e muitas vezes de forma contínua.

E não se esqueça: seus genes não determinam o seu destino!

Referências

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Dr. Alain Dutrahttps://artigos.alainuro.com
Dr. Alain Dutra é médico urologista. Além dos aspectos tradicionais de uma consulta médica, busco avaliar a sua vida como um todo, para entender onde seus hábitos de vida (sejam esses alimentares, de exercícios ou níveis de estresse) estão contribuindo para o seu atual estado de saúde.

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