Dieta Carnívora – Comer apenas carne faz bem? Funciona?

Dieta Carnívora – Comer apenas carne faz bem? Funciona?

A dieta carnívora é uma nova tendência alimentar, especialmente após o lançamento em Agosto do segundo volume do polêmico livro do Dr. Paul Saladino, “The Carnivore Code”.

Quero deixar claro que nesse artigo, meu papel não é necessariamente defender ou atacar essa visão.

Eu vou basicamente expor a visão do autor ao longo da maior parte do artigo, e no final eu vou apresentar a minha visão pessoal.

Sobre o autor do livro da Dieta Carnívora

Dr. Paul é um médico de formação clássica que completou sua residência na Universidade de Washington.

Ele é especializado em psiquiatria e mais tarde na sua carreira fez formação em Medicina Funcional e bioquímica nutricional na famosa faculdade de medicina da Universidade do Arizona.

Mas antes de sua carreira médica, Paul teve oportunidade de atuar por quatro anos como paramédico assistente em Cardiologia.

Foi nessa época que ele relata ter se desencantado com o modelo vigente de Medicina Ortodoxa.

Então, o Dr. Saladino se tornou um dos maiores especialistas do mundo na dieta carnívora.

Visão do autor

Então, como vocês sabem, nos tempos atuais, essa visão parece ir contra o ecologicamente e também contra o politicamente correto.

Mas em seu livro, Paul rebate vários dos argumentos usados por veganos e ecologistas.

Ele usou a dieta carnívora para curar um eczema vários outros problemas autoimunes, o que não tinha conseguido com outras estratégias.

Ele também alega ter trabalhado com centenas de pacientes que conseguiram resolver problemas de saúde de longa data com a dieta carnívora.

Muitas pessoas relataram benefícios significativos em adotar uma dieta exclusivamente à base de carne.

Mas será que consumir apenas carne é saudável a longo prazo?

Aqui vamos tentar analisar o tema com o máximo de desprendimento, sem paixões políticas ou sociológicas, correndo o risco de arrumar briga com nossos irmãos veganos.

Vamos analisar os mecanismos por trás da dieta, as consequências potenciais de não comer alimentos vegetais e algumas alternativas para que quer experimentar se tornar um carnívoro puro.

E no final vou dar minha opinião pessoal sobre o tema.

O conceito da dieta carnívora

O conceito da dieta carnívora é bastante simples: comer apenas alimentos de origem animal e ficar longe de todos os alimentos vegetais.

Isso significa que você iria obter sua energia principalmente de proteínas e gorduras e consumir uma dieta quase zero em carboidratos.

A dieta carnívora significa eliminar completamente os alimentos vegetais, então isso significa:

  • Sem frutas;
  • Vegetais;
  • Grãos;
  • Nozes;
  • Sementes;
  • Ou leguminosas.

Em vez disso, a lista de alimentos da dieta carnívora padrão tem as seguintes características:

  • Carne vermelha (especialmente cortes mais gordurosos);
  • Carnes de vísceras, como fígado e coração;
  • Aves, peixes, ovos;
  • Gorduras que normalmente são descartadas, como banha e sebo, caldo de osso e medula óssea.

Pode parecer nojento para grande parte das pessoas, não é?

Mas antes que você proteste a respeito mas analisar isso mais ao fundo, escutar os argumentos do Dr. Saladino com a mente aberta e sem polarizações.

Restrições da dieta carnívora

Alguns seguidores da dieta ingerem laticínios integrais, ou derivados do leite com baixo teor de lactose, como queijos curados ou duros, creme de leite e manteiga.

Enquanto outros evitam laticínios totalmente.

Muitos dos carnívoros rigorosos também eliminam o café e o chá – afinal, essas bebidas vem do mundo vegetal.

Parece radical, não é?

Os temperos em geral também são restritos: a maioria dos seguidores somente usam sal e pimenta.

Muitas pessoas que adotaram a dieta carnívora relataram:

  • Rápida perda de peso;
  • Melhor clareza e foco mental;
  • Digestão mais saudável;
  • Até melhor desempenho atlético.

Muitas pessoas relatam que obtiveram um alívio notável para problemas crônicos de saúde debilitantes com esta dieta.

Para muitas dessas pessoas, nada mais que eles tentaram funcionou.

Dieta carnívora x Dieta cetogênica 

Bem, acredito que uma das primeiras perguntas que podem vir a mente de quem ouve falar dessa dieta, é: Qual a diferença dela para a cetogênica?

Ambas enfatizam a gordura e a proteína, mas a dieta cetogênica permite o consumo de alguns carboidratos, embora seja uma quantidade muito pequena.

Enquanto os carnívoros tentam comer o mais próximo possível de zero em carboidratos, a dieta cetogênica – que é classificada como muito pobre em carboidratos – permite 5 a 10% das calorias na forma de carboidratos.

Em comparação, uma dieta low carb, baixa em carboidratos, os carboidratos constituem de 10 a 15 por cento do total de calorias diárias.

Uma dieta moderada em carboidratos permite de 15 a 30 por cento.

Uma dieta rica em carboidratos é superior a 30%.

Talvez a diferença mais notável seja que a restrição de “somente alimentos de origem animal” da dieta carnívora.

Embora os seguidores da dieta cetogênica provavelmente comam muitos dos mesmos alimentos de origem animal permitidos na dieta dos carnívoros, uma vez que enfatizam a proteína e a gordura, eles também podem comer alimentos à base de plantas – contanto que tenham baixo teor de carboidratos.

Então você pode pensar em uma dieta carnívora como mais restritiva e ainda com menos carboidratos do que a cetogênica.

A visão do autor sobre a evolução

No seu livro, o Dr. Paladino sustenta que ao longo de nossa evolução com humanos, nossos ancestrais caçaram animais preferencialmente, e comeram alimentos vegetais apenas em tempos de escassez ou fome.

Paul diz que muitas pessoas se concentram no fato de que temos a capacidade de comer plantas, mas não param para pensar por que comemos plantas e se isso é realmente ideal do ponto de vista nutricional.

Algumas pessoas argumentam que se fôssemos carnívoros, teríamos que ter dentes de animais carnívoros.

Paul diz que a comparação não leva em conta que evoluímos de primatas que comiam principalmente plantas.

Além disso, o fato de, quando sorrimos, podermos ver nossos incisivos e caninos é outro sinal de que comemos carne já há algum tempo.

Paul também reforça que nossas mandíbulas são melhores na mastigação vertical em comparação com a mastigação rotativa que vemos nos herbívoros.

Outros argumentos do autor

PH do estômago

Outro argumento é que o pH do estômago humano é cerca de 1,5. Quanto menor o número, mais ácido.

Paul destaca que nossos ancestrais primatas distantes tinham um pH estomacal de cerca de 4-5.

Ele diz que o pH do nosso estômago ficou mais ácido devido à nossa mudança para alimentos principalmente de origem animal.

Cólon menor

Outro argumento que ele usa é que quando você examina o trato digestivo dos primatas em comparação com os humanos, o nosso intestino delgado é mais longo e o tamanho do cólon menor.

A razão pela qual os primatas têm barriga protuberante é devido ao tamanho do cólon que é maior do que os humanos.

Quando o acesso aos alimentos de origem animal ficou mais fácil, houve menos necessidade de alimentos vegetais e, assim, nosso trato digestivo encolheu, porque não precisava ser tão grande.

Isso permitiu ao corpo conservar energia e canalizá-la para o cérebro, que consome 22 vezes mais energia do que o tecido muscular.

Ácidos graxos

Os ácidos graxos ômega-3 desempenham um papel fundamental no tamanho do cérebro e na saúde.

O ômega-3 das plantas, o ALA, ácido linolênico, não é facilmente convertido no nosso corpo nas outras formas, EPA e DHA, porque a enzima que faz a conversão é bem pouco ativa.

E o principal ômega-3 que o cérebro precisa, o DHA, não é facilmente encontrado nas plantas, com exceção das algas.

Então para o crescimento do cérebro é foi fundamental o consumo de carnes.

Ao longo do livro ele faz várias considerações desse tipo, de aspecto evolucionário, como adaptações a caça.

Mudança de comportamento da raça humana

Ainda seguindo essa linha, ele comenta no livro que supostamente o maior erro da raça humana foi ter mudado o comportamento de nômades caçadores-coletores para fazendeiros.

Segundo o autor, cerca de 12.000 anos atrás, a saúde da raça humana começou a piorar.

Foi mais ou menos na mesma época em que começamos a agricultura (ou seja, a Revolução Neolítica).

Ele sustenta que a evolução tecnológica ao longo dos séculos nos levou a viver mais, mas em uma saúde sub-óptima, isso devido a uma alimentação baseada em grãos cultiváveis.

Segundo Paul, os dados mostram que cerca de 88% das pessoas dos países ocidentalizados apresentam alguma forma de disfunção metabólica.

As taxas de doenças de saúde mental aumentaram 17% na última década.

O Dr. Saladino diz que os caçadores-coletores têm saúde superior e dificilmente têm incidência de disfunção metabólica, depressão e demência.

Ele cita como exemplo os grupos indígenas Kung, Hadza, Inuit e Maasai, eles vivem vidas longas e saudáveis se não morrem de infecções, feridas ou contaminação da água.

Diminuição do cérebro

Se por um lado a mudança para agricultura levou a uma explosão populacional, em alguns casos, 10 ou mais vezes, por outro lado o cérebro humano chegou a encolher um pouco.

O pico de massa encefálica aconteceu um pouco antes da era da agricultura, cerca de 100 mil anos atrás, e também houve diminuição da estatura dos povos agrícolas por deterioração dos ossos.

Houve também piora do esmalte dentário, isso segundo estudos efetuados pelo famoso dentista antropólogo Weston Price.

Relato de um antropólogo que viveu com esquimós

Um antropólogo chamado Vihjalmur Stefansson foi morar com os esquimós do norte do Alasca, cuja dieta era principalmente de alimentos de origem animal.

Ele adotou sua dieta e relatou um aumento da disposição física e mental.

Ele viveu lá por mais de 5 anos, e quando voltou aos EUA, ele passou por uma dieta à base de animais por um ano e monitorado no Hospital Bellevue em Nova York.

Supervisionado por médicos, seus resultados não mostraram nenhum declínio na saúde.

Toxinas dos vegetais

Os capítulos 3 a 5 do livro são dedicados a listar todas as toxinas que existem nos vegetais.

Ele sustenta que como as plantas têm recursos limitados de defesa, são obrigadas a desenvolver várias toxinas para evitar serem comidas.

As plantas são organismos vivos que querem sobreviver como todos nós.

Como não podem se mover por conta própria, desenvolveram defesas físicas e químicas que protegem sua espécie.

Aqui que entra alguns dos aspectos mais polêmicos do livro e que me surpreendeu bastante.

Muitas das substâncias que eu estudei ao longo dos anos como algumas das mais saudáveis para a saúde humana, aqui são apresentadas como toxinas.

 Isso inclui os polifenóis que são da família das fitoalexinas.

Entre os polifenóis estão o resveratrol da uva, a curcumina do açafrão e as catequinas do chá verde.

Aqui ele apresenta um conceito curioso de pesticidas naturais das plantas, que seriam consumidas por nós humanos em uma taxa 10 mil vezes maior que os pesticidas artificiais produzidos pelos homens.

Ele sustenta que muitas dessas toxinas provocam danos ao nosso DNA.

Defesas contra as toxinas vegetais

Outro argumento desse capítulo é de que, assim como os humanos se adaptaram a comer principalmente alimentos de origem animal, os herbívoros se adaptaram a comer alimentos vegetais e, ao fazer isso, desenvolveram defesas contra as toxinas vegetais.

Por exemplo, muitos animais que pastam têm enzimas em sua saliva que desativa as toxinas vegetais chamadas taninos.

 Os ruminantes têm mais de um estômago, o que os ajuda a digerir as plantas.

Paul diz que eles também parecem ter a capacidade de perceber quando já consumiram o suficiente de uma determinada planta antes de passar para outra, isso para evitar acúmulo de toxinas.

Além disso, quando as populações de herbívoros são forçadas a consumir apenas uma pequena variedade de plantas, pode ocorrer morte em massa.

Nutrientes sulforafano

A estrela dos nutrientes sulforafano, tão discutida em artigos científicos como tendo ação anticâncer, especialmente de mama e de próstata, aqui é apresentada também como toxina.

Aqui é dito que danifica o DNA.

Ele chama as propriedades anticâncer de “Hype”, ou seja, um tipo de modismo científico, e que o sulforafano só deve ser usado como remédio em situações bem específicas.

O mecanismo pelo qual o sulforafano e outros fitoquímicos poderiam fazer algum bem a saúde seria através da hormese.

Trocando em miúdos, hormese significa “o que não mata, engorda”.

Doses pequenas de veneno são como remédio.

Doses pequenas de sulforafano provocariam antioxidação secundária após uma leve oxidação, semelhante ao que ocorre com o uso de ozônio ou peróxido de hidrogênio.

 O sulforafano ativa a via NRF2, uma via de defesa contra agressões.

Paul diz que o aumento do status antioxidante após a suplementação de sulforafano, se deve ao aumento do antioxidante interno glutationa, secundário a ativação NRF2, como resultado da tentativa de combate ao sulforafano.

Ele acrescenta que outras moléculas de plantas que são celebradas por seus efeitos antioxidantes produzem a mesma resposta NRF2 no corpo.

Mecanismos horméticos ambientais

Mas Saladino não gosta desses mecanismos de hormese das toxinas das plantas, e chega até a comparar esses mecanismos com os dos metais tóxicos e até do cigarro.

Ao invés disso, Paul recomenda que você confie em mecanismos horméticos ambientais em vez de toxinas vegetais.

Ele recomenda sauna alternada com banhos gelados, pegar sol, ou se exercitar.

São todos estímulos horméticos, porque provocam leve agressão ao organismo cuja reação final é positiva a saúde.

Viés de indivíduo saudável

Em certo momento do livro, Paul discute que existe um viés de indivíduo saudável que reforça a visão da associação do consumo de plantas com vida saudável.

Saladino diz que o tipo de pessoa que está interessada em ouvir conselhos nutricionais e, assim, aumentar seu consumo de frutas e vegetais.

Também é aquele tipo de pessoa que tem maior probabilidade de adotar hábitos de vida saudáveis, como exercícios e higiene do sono.

 Então seria impossível separar os hábitos saudáveis do consumo de frutas e vegetais.

Ele critica muito os estudos epidemiológicos que enxergam associação entre consumo de frutas e legumes com vida saudável.

Esses tipos de estudos são muito mais comuns e baratos que os estudos de intervenção.

Os estudos epidemiológicos teriam muitos fatores confundidores, e é aí que entraria o chamado viés de indivíduo saudável.

Os estudos intervencionistas exigem muito dinheiro e tempo, o que significa que são mais difíceis de obter financiamento.

Além disso, descobrir que certos alimentos não são saudáveis às custas de grandes investimentos financeiros não seria de nenhum modo interessante para os fabricantes de alimentos e profissionais de saúde.

Ele sustenta que nos poucos estudos de intervenção existentes, não houve benefícios antiinflamatórios e também de prevenção do dano ao DNA com o consumo de alimentos ricos em polifenóis.

Paul diz que a razão de haver um conflito entre as descobertas de estudos epidemiológicos e estudos de intervenção se resume aos “fatores de confusão”; que eu já discuti aqui.

Estudos epidemiológicos na Ásia

Na Ásia, o consumo de alimentos de origem está associado à prosperidade.

Os estudos epidemiológicos daquela região não mostram nenhum risco aumentado de doenças cardíacas ou câncer relacionados ao consumo de carne.

Na verdade, em alguns estudos, o consumo de carne vermelha foi associado a menos morte por doença cardíaca em homens e menor risco de morte por câncer para mulheres.

Um estudo descobriu que a alta ingestão de gordura animal e colesterol reduziu o risco de morte por derrame em homens e mulheres.

Viés do indivíduo desleixado

Assim como existe o viés do indivíduo saudável existe também o viés do indivíduo desleixado.

Quando uma cultura promove a mensagem de que a carne faz mal à saúde, isso aumenta a probabilidade de que as pessoas que continuam a comer carne, e em grandes quantidades, não sejam pessoas particularmente influenciadas por mensagens de saúde.

Isso também significa que elas estão mais propensos a se envolver em comportamentos de estilo de vida pouco saudáveis, como fumar e não praticar exercícios.

Quando estudos epidemiológicos são realizados, uma vez que não há controles, não há como separar uma coisa da outra…

Fica muito difícil perceber o quanto a dieta afeta os resultados de saúde em comparação com o estilo de vida geral, e isso é a razão pela qual muitos estudos epidemiológicos correlacionam o consumo de carne com resultados de saúde ruins.

Efeitos colaterais dos vegetais

Paul diz que embora haja algumas evidências de que certos compostos vegetais têm propriedades antiinflamatórias, eles também têm efeitos colaterais, assim como os medicamentos de venda livre em farmácias.

E ele sugere, que em vez de tomar moléculas antiinflamatórias vindas de fora, sejam naturais ou não, devemos procurar as causas básicas da inflamação e resolvê-las.

Essa é uma visão interessante mesmo que eu ou vocês possamos não concordar com o que ele sustenta no livro.

Tirando como exemplo um dos queridinhos dos cientistas, o resveratrol, Paul diz que a maioria das alegações de que essa substância é excepcional para longevidade e diabetes são baseadas em estudos com animais e, de fato, ela teria efeitos colaterais prejudiciais para os humanos.

Como outras toxinas vegetais, o resveratrol seria um pró-oxidante que ativa a via do NRF2.

Também poderia oxidar as membranas celulares e danificar o DNA.

Um dos motivos pelos quais o resveratrol recebeu tantos elogios é sua capacidade de ativar as sirtuínas – genes associados à longevidade.

Paul diz que não precisamos de compostos de plantas para fazer isso, podemos ativar sirtuínas com cetose, através de jejum e dieta, exposição controlada ao frio e exercícios.

Plantas não devem ser consideradas como fonte primária de alimento

Saladino acredita que as moléculas das plantas podem desempenhar um papel no tratamento de certos tipos de câncer e doenças, mas não devem ser consideradas como fonte primária de alimento.

Ele acredita que podemos obter toda a proteção de que precisamos contra a inflamação crônica com uma dieta carnívora aproveitando todo o animal, combinada com medidas horméticas de estilo de vida, como exercícios e exposição ao frio.

Outros argumentos do autor ao longo do livro

Ao longo do livro, ele comenta sobre efeitos negativos de vários fitoquímicos, como as fitoalexinas, lectinas, oxalatos, etc.

Eu não vou me estender mais nesse assunto, mas se vocês tiverem interesse de se aprofundar adquiram e leiam o livro.

Além disso ele refuta a ideia de que alguns vegetais possam ser superalimentos.

E também cita os benefícios de vários nutrientes cuja a maior fonte são os produtos animais, como creatina, colina, carnitina, carnosina, taurina.

Deficiências da dieta vegana

Além disso, ele diz que veganos tendem a ter menores níveis de ferro, zinco e cálcio.

Tendem a ter deficiência de iodo também.

As fontes de vitamina A e vitaminas do complexo B nos vegetais são bem menos biodisponíveis.

Descobriu-se que dietas à base de plantas elevam os níveis de homocisteína, o que indica que a metilação (um processo no qual as vitaminas B desempenham um grande papel) está prejudicada.

Níveis elevados de homocisteína têm sido associados à várias doenças crônicas e redução do tamanho do cérebro.

 O problema é pior quando os níveis de vitamina B12 estão baixos.

Paul diz que algumas pessoas acham que certas doenças melhoram com uma dieta vegana.

Ele diz que isso pode ser devido à remoção de variáveis inflamatórias de sua dieta, principalmente carboidratos processados.

Ele diz que, embora essas dietas possam funcionar a curto prazo, a longo prazo elas o deixam suscetível a doenças.

As principais razões são: baixa biodisponibilidade de nutrientes e a natureza pró-inflamatória dos alimentos vegetais.

Algumas pessoas perdem peso e revertem o diabetes tipo 2 com uma dieta vegana.

Paul diz que é fácil restringir calorias em uma dieta vegana por causa do efeito saciante das fibras, e, devido à má absorção no corpo, você pode não absorver tantas calorias.

Mas lembre-se de que muitas vezes isso significa que você não está absorvendo todos os nutrientes também.

A redução de calorias tende a aumentar a sensibilidade à insulina e reduzir a inflamação.

Tolerância imunológica

Segundo o Dr. Saladino, a tolerância imunológica tem uma grande variabilidade entre as pessoas, mas não é naquilo a que respondemos, mas sim em como a resposta aparece.

Algumas pessoas são mais propensas a respostas auto-imunes e, portanto, devem eliminar totalmente a maioria dos alimentos vegetais, enquanto outros podem tolerar algumas plantas em sua dieta.

Mito das fibras

Em se tratando de fibras, Paul alega que existe um mito a respeito delas.

Ele alega que fibras não são necessárias para movimentos intestinais regulares.

Quando você está consumindo fibra, vai evacuar mais, porque há mais material para se livrar, mas muitas vezes isso pode causar desconforto também.

Foi divulgado que fibras reduzem o risco de câncer de cólon, mas as pesquisas de intervenção não apoiam essa afirmação.

Paul diz que estudos epidemiológicos que mostram essa ligação provavelmente estão sofrendo influência de viés de indivíduos saudáveis.

Segundo Saladino, a fibra não tem valor nutricional.

É decomposta por bactérias e excretada nas fezes.

Muitas pessoas, assim como eu, afirmam que a fibra é necessária para um microbioma intestinal saudável.

Paul diz que ainda não sabemos muito sobre o microbioma intestinal, mas a ênfase que as pessoas dão quando dizem que “a fibra é necessária” tem a ver com 3 variáveis:

  1. Revestimento intestinal saudável;
  2. Diversidade bacteriana;
  3. E a formação de ácidos graxos de cadeia curta.

Os defensores das fibras sugerem que, como a baixa diversidade de bactérias intestinais é encontrada na doença inflamatória intestinal e no diabetes tipo 2, e as dietas ocidentais também estão associadas à diversidade intestinal baixa, a ingestão insuficiente de fibras é a causa.

Mas Paul diz que provavelmente outras características da dieta ocidental – como açúcar, óleos vegetais e lectinas – é que estão causando esse problema.

Estudos não mostram que o aumento da ingestão de fibras leva a um aumento na diversidade microbiana e, ao contrário, as dietas cetogênicas com baixo teor de fibra e as dietas carnívoras não mostram uma diminuição na diversidade intestinal.

Os AGCC fornecem energia para as células epiteliais do cólon.

Muitos defensores da fibra recomendam a ingestão dela para a produção de AGCC quando ela é fermentada no cólon, mas Paul diz que você também pode fazer AGCC por fermentação de proteínas.

Por exemplo, o colágeno de tecido animal pode fermentar no cólon e produzi-las.

O intestino alterna facilmente entre os diferentes tipos de AGCC com base no que você come.

Um estudo descobriu que uma dieta baseada em vegetais resultou em mais butirato e acetato, e uma dieta baseada em animais resultou em mais isobutirato e isovalerato.

 Os AGCCs se transformam em beta-hidroxibutirato (BHB), que é uma forma de cetona.

Em uma dieta cetogênica, as células epiteliais do cólon usam BHB e não têm tanta necessidade de AGCC;

Mas se consumirmos muita fibra, o butirato extra no cólon não poderá ser absorvido e as células epiteliais ficarão sem energia, o que produz inflamação.

Paul diz que esta é uma das razões pelas quais as dietas cetogênicas demonstraram ser benéficas no combate às doenças inflamatórias intestinais.

Mas e o colesterol? Não aumentaria em uma dieta carnívora?

O colesterol não é bandido, é mocinho.

A razão pela qual se acha colesterol LDL no meio das placas ateroscleróticas que entopem as artérias é porque a parede dessas artérias passaram a ser grudentas devido a resistência insulínica.

Se as paredes arteriais não estivessem grudentas o LDL não seria incorporado na parede, e não oxidaria, contribuindo para o entupimento.

Então a questão chave aqui é, se você for resistente à insulina, sim, o colesterol alto pode aumentar a placa arterial.

Mas se você for sensível à insulina, o colesterol alto não representa um problema e pode ser ainda protetor, como alguns estudos sugerem.

Criação de animais e o efeito estufa

Paul diz que muitas empresas de alimentos processados têm promovido a mensagem de que a criação de animais contribui muito para o efeito estufa, mas Paul diz que produzir alimentos processados produz muito mais gases do efeito estufa do que vacas.

Em 2016, a porcentagem das emissões de gases de efeito estufa dos EUA foram as seguintes:

  • 3,7% – pecuária agrícola (1,9% de vacas);
  • 5,2% – safras agrícolas;
  • 11,6% – comercial e residencial;
  • 21,3% – indústria;
  • 26,4% – transporte;
  • 30,3% – geração de eletricidade.

Paul diz que se prestássemos mais atenção a outras indústrias, haveria bilhões de dólares em prejuízo.

Ele enfatiza que o metano da pecuária faz parte do ciclo do carbono e não contribui para o aumento do carbono na atmosfera.

Enquanto isso, o dióxido de carbono produzido a partir de transporte, eletricidade e indústria, adiciona ao carbono na atmosfera.

A Curva de Keeling é um modelo que mostra como o carbono na atmosfera aumentou nos últimos 70 anos.

Desde meados do século 18, o dióxido de carbono aumentou de 280 ppm para 415 ppm em 2019.

Quando se trata da pecuária, o metano produzido vai para a atmosfera, se decompõe em dióxido de carbono (após cerca de 10 anos).

Então o resultado é aproveitado pelas plantas em seu processo de respiração celular – que produz carboidratos.

Os ruminantes comem as plantas e liberam metano de volta ao meio ambiente para continuar o ciclo.

Como o metano que as vacas produzem não adiciona carbono na atmosfera, mas o recicla, não são as vacas que estão causando o aumento dramático que vimos na Curva de Keeling.

Paul diz que precisamos nos concentrar na redução do uso de combustíveis fósseis e buscar outras formas de energia renovável.

Além disso, do total de metano na atmosfera, apenas 8% são de vacas e o restante é de coisas como mineração de carvão, aterros sanitários, gás natural, etc.

Muitas das mensagens de marketing contra a carne sugerem que deveríamos comer produtos substitutos de carne, mas além das toxinas vegetais envolvidas na produção, a produção desses produtos contribui para mais emissões de gases de efeito estufa do que a criação de ruminantes.

Minhas conclusões sobre a dieta carnívora

Muito improvável de ser uma dieta factível no longo prazo.

O próprio Dr. Saladino em podcast do Chris Kresser (Agosto desse ano) menciona que ele mesmo está nessa dieta há aproximados 2 anos, e recentemente incluiu o mel na sua alimentação.

Será que ele ficaria cinco ou mais anos nessa dieta? Fica aí a pergunta.

Para essa dieta funcionar do jeito que ele descreve no livro é fundamental comer o animal inteiro, o que ele chama de “nose to tail”, no inglês.

Isso inclui vísceras, algumas exóticas, como pâncreas, rins, baço e timo.

E também caldo de ossos, medula óssea, tecido conjuntivo e tendões.

Muitas pessoas não suportam esses tipos de alimentos, e podem ser até difíceis de achar, e teriam que suplementar com cápsulas de vísceras dissecadas, algo que nunca vi no Brasil.

Se a pessoa na dieta carnívora comer somente carne de músculos vai ter deficiência de:

  • Magnésio;
  • Cálcio;
  • Vitaminas C, E, A, K2, ácido fólico, B2
  • Boro;
  • Manganês.

A pessoa teria que ter um grande cuidado de obter carnes orgânicas, de gado e outros animais que se alimentam das suas comidas ancestrais.

Ccomo boi de pasto, e porco e galinha que não se alimentam basicamente de soja e milho, como que acontece hoje em dia.

É a dieta mais restritiva que eu já vi, mais difícil de seguir na minha opinião do que a dieta cetogênica ou a dieta paleo.

Pode ser excelente pedida para pessoas com doenças autoimunes que não obtiveram melhora com dieta cetogênica ou AIP, para talvez ser seguida a risca por 6 meses a um ano e depois com flexibilização.

No seu livro ele apresenta 5 versões da dieta, sendo o nível um o mais flexível, com adição de frutas, olivas, abacate, abóboras e pepinos.

Ele mesmo admite que essa dieta não é para todos.

É uma dieta que precisa ser adequadamente estudada, assim como aconteceu com a dieta mediterrânea e a cetogênica.

Existem poucos estudos sobre essa dieta e toda a ciência que ele apresenta é de extrapolação, porque de fato não existem estudos específicos sobre ela a longo prazo, a não ser relatos de caso como o do antropólogo Vihjalmur Stefansson.

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Dr. Alain Dutrahttps://artigos.alainuro.com
Dr. Alain Dutra é médico urologista e aplica a Medicina Funcional, Integrativa e de Estilo de vida e princípios ortomoleculares.

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